terça-feira, 25 de maio de 2021

Eclipse Lunar Total - Eixo Sagitário-Gémeos: Reflexões Astrológicas

 Reflexões Astrológica

Eclipse Lunar



Eclipse Lunar Total

Eixo Sagitário-Gémeos

(Lua Cheia)


Lua
Decanato: Mercúrio
Termos: Júpiter
Monomoiria: Lua

Sol
Decanato: Júpiter
Termos: Mercúrio
Monomoiria: Lua


O primeiro eclipse de 2021 é um Eclipse Lunar Total, o último eclipse lunar do eixo nodal Gémeos-Sagitário e o último eclipse total da série Saros 121. Este é quiçá o primeiro aspecto que se deve ter em consideração na análise deste eclipse. As séries Saros, a par dos ciclos metónicos, representando estes uma continuidade dos primeiros, são os dois maiores contributos da Antiguidade para a análise cíclica dos eclipses. As séries Saros têm origem babilónica e apresentam cada uma cerca de 70 eclipses que ocorrem a cada 18 anos, começando por serem parciais e à medida que se aproximam do Equador passam a totais, para voltarem depois a parciais. Ora a série Saros 121 iniciou-se a 6 de Outubro de 1047. Três dias depois morreu o Papa Clemente II e Bento IX, que já havia sido papa em dois momentos anteriores, reassume o poder. Este foi o papa que excomungou o Patriarca de Constantinopla que, por sua vez, excomungou Bento IX, tendo-se criado assim as condições para o Grande Cisma.

Se elaborarmos o tema deste eclipse, que ocorreu em Carneiro, e Ptolomeu diz-nos que este rege a Germânia, ora Clemente II era germânico e tinha relações estreitas e preferenciais com o Sacro-Império, compreendemos então que quer a morte e a mudança do poder papal, quer os indícios do Cisma são astrologicamente evidentes (e.g. o regente do Asc. poente e em conjugação com Marte; e Plutão em conjugação com MC). Naturalmente, o tema deverá ser colocado em Roma. A localização nos temas astrológicos mundanos - sejam lunações, eclipses ou outros - tem, por um lado, um valor de ὁμφαλός, de umbigo do mundo, de lugar electivo, e, por outro, do potencial indicado pela expressão urbi et orbi, ou seja, o valor que se encontra, por exemplo, em Lisboa estende-se, enquanto lugar electivo, ao resto do mundo. A parte infere o todo e o tempo e o espaço fixam assim o sentido.

Embora a tradição nos diga que o primeiro eclipse de uma série Saros nos dá alguns indicadores de toda a série, o primeiro eclipse total tende a reforçar e aumentar esses indicadores. Na série Saros 121, o primeiro eclipse total foi a 13 de Julho de 1516. Ora a 24 de Agosto de 1516, dá-se a Batalha de Marj Dabiq, na qual os Otomanos, chefiados pelo Selim I, derrotam os Mamelucos e ganham o controlo do Egipto, da Arábia e do Levante. Se fizermos o tema do eclipse para Alepo, dado que Dabiq ficava próximo, compreendemos a importância do eclipse e da série Saros em que se insere para um conjunto de mudanças políticas e civilizacionais que ainda hoje se sentem. O eclipse ocorre em Capricórnio que, segundo Heféstion de Tebas, rege, entre outros, parte do Egipto, a Síria e a Cária. Por exemplo, o Horóscopo (Asc.) em Carneiro, conjunto a Marte, é um forte indicador de uma guerra iminente e, já no primeiro grau de Leão, a conjunção do Sol a Júpiter sugere também uma nova ordem, um novo poder.

No Eclipse de 26 de Maio, que ocorre em Sagitário, o Horóscopo recai em Leão, isto para Lisboa, o lugar a partir do qual se está a olhar o mundo. Entre outros, Sagitário rege, segundo Ptolomeu, a Espanha e a Arabia Felix (Iémen e Omã), já segundo Hiparco, também a Sicília e, segundo Odapso, ainda a Mesopotâmia (Médio Oriente), o Mar Vermelho, a Síria, o Egipto e Cartago (Norte de África). Por seu lado, Leão rege, segundo Vétio Valente, a Gália (França), o Proponto (Turquia, Mar de Mármara), a Galácia (Turquia, Ancara), a Trácia (Grécia, Macedónia, Bulgária e Turquia Europeia), a Fenícia (Palestina, Israel e Líbano), a Líbia, a Frígia (Turquia), a Síria e Pessino (Turquia). Como é facilmente compreensível pelos lugares enunciados, estas são regiões de conflitos e tensões nos nossos dias, sejam pela guerra como no caso da Síria, da Palestina e de Israel e do Iémen, sejam pela crise dos migrantes e dos direitos humanos como nos casos da Síria, da Turquia, da Grécia, do Norte de África, de Itália, de França e agora de Espanha (Ceuta). A Humanidade para subsistir terá de olhar para o Humano, não com um conjunto de lugares comuns pseudo-espirituais, reproduzidos vezes conta, mas sim com um pensamento estruturado e um intelecto agente que dê um sentido profundo à vontade e à acção. Enquanto persistir a ideia de que existem humanos de primeira e humanos de segunda e que existe um direito natural de uns a uma determinada terra ou lugar, a Humanidade como princípio e realidade agregadora está condenada.

A tradição astrológica diz-nos que os eclipses têm uma maior intensidade quando ocorrem acima do horizonte, excepto o caso de se darem no Lugar do Sob a Terra (IV), o que não é o caso do nosso eclipse de 26 de Maio. Porém, fixa-se na V, na Boa Fortuna (ἀγαθή τύχη), o que lhe confere um poder criativo potencial, mas não ainda efectivo. Esse princípio é confirmado pelo facto do seu regente, Júpiter, se encontrar no Lugar da Morte, na VIII, todavia, está em Peixes. A partilha de Sagitário e Peixes da regência de Júpiter aponta aqui para um caminho. Se Sagitário indica a Sabedoria e Peixes a Fé, podemos construir como ponte para futuro, essa proposta humana de conciliar a Sabedoria e a Fé. A Deusa Pistis-Sophia (Fé-Sabedoria) expande, de acordo com o poder de Júpiter, o seu potencial criador e renovador. Note-se, por exemplo, que a Lua está nos termos de Júpiter e o Sol no decanato de Júpiter. Deve-se também ter em consideração o facto do último eclipse da série Saros 121 ocorrer em Peixes, a 18 de Março de 2508. Existe aqui uma anunciação das forças benéficas e expansivas (Júpiter) da Deusa Pistis-Sophia (Peixes-Sagitário). Esta é proclamação da Idade do Espírito Santo, do regresso do Eterno Feminino.

O Dragão da Lua continua a marcar, até ao fim do actual ciclo no eixo Gémeos-Sagitário, uma mensagem que está em harmonia com a anunciação da Deusa Pistis-Sophia. A sabedoria da palavra (Sagitário-Gémeos) e a palavra da sabedoria (Gémeos-Sagitário) cingem o caminho de revelação que culminará no Eclipse Solar Total de 4 de Dezembro deste ano, ou seja, a partir da sabedoria a palavra transformará o humano. Esta ideia é também particularmente expressiva neste Eclipse Lunar de 26 Maio. A luz concentra a sua emanação na XI, no Lugar do Bom Espírito (ἁγαθόν δαίμων). Em Gémeos, o Sol, a Caput Draconis, Vénus e Mercúrio brilham em conjunto. Note-se que Vénus e Mercúrio estão para além dos raios fulgentes do Sol (+15º), fugindo da combustão e brilhando como Estrelas da Manhã, candeias da palavra, do intelecto e do amor à sabedoria. Porém, a necessidade de uma palavra que transforme colide aqui com Júpiter em Peixes (quadratura), ou seja, a palavra deixa-se corromper pela ilusão e pela intolerância e torna-se uma via para o racismo, para a xenofobia, para a misoginia, para o negacionismo, para populismo e para o totalitarismo. A palavra (Gémeos) rejeita a dádiva e a fé (Júpiter em Peixes) e também a compaixão e o amor universal (Neptuno em Peixes) e, por outro lado, não acolhe a sabedoria como finalidade (Sagitário), nem eleva a alma até à consciência de si (Lua). A quadratura de Júpiter - e de Neptuno- aos luminares não representa aqui uma tensão ou conflito, mas sim uma dúvida quanto a efectivação de uma possibilidade.

Se Júpiter e Neptuno mostram que a luz da palavra e da sabedoria pode, por rejeição, afastar-se da fé e da dádiva, da compaixão e do amor universal, Saturno Retrógrado, a partir do Poente (VII), partilha tanto a necessidade de reestruturação social, trazendo a igualdade onde existe desigualdade e injustiça, e de pensamento crítico como a lição do tempo, do eterno retorno (trígono ao Sol, Mercúrio e Vénus, sextil à Lua). Por estar junto ao Poente, já abaixo da linha do horizonte, o Velho Cronos fala-nos do fim de uma era, de um tempo que se eclipsa e, por estar em Aquário, de um humano que terá de morrer para inauguralmente renascer. O novo humano, como o antigo herói, terá de descer ao submundo para emergir renovado. Essa descida aos infernos é expressa também pelo medo do feminino. Marte em Caranguejo, na XII, no Mau Espírito (κακός δαίμων), em oposição a Plutão na VI, na Má Fortuna (κάκη τύχη), colocam o humano no abismo da sua sombra em frente de Perséfone, a Senhora do Submundo. Devemos lembrar-nos que a maioria das representações astrológicas estão exageradamente masculinizadas, assim quando, por exemplo, olhamos para Plutão devemos ver tanto Hades como Perséfone. O medo do feminino, expresso por Marte em Caranguejo, tem como contraponto a relação benéfica com Júpiter e Neptuno em Peixes (trígono) e com Úrano (sextil). Este é o Rei Pescador, o homem ferido, que guarda o Graal, representado pela vesica piscis. Desta forma, vencido o medo e chegados ao castelo do Graal, a deusa tenebrosa torna-se benevolente.

Por outro lado, Úrano em Touro surge na X, junto à Culminação (MC), trazendo uma vez mais a mensagem da revolução da terra. As manifestações climáticas serão mais frequentes - e também necessariamente mais radicais (sextil a Plutão em Capricórnio) - e uma parte dos jovens vão mostrar cada mais como a passividade das gerações anteriores, com o seu aburguesamento consumista, supérfluo e politicamente engajado, condenou o planeta. A utopia, que, nos últimos anos, muitos teimaram em condenar, renascerá com um propósito simples, mas determinado: salvar o planeta terra (sextil de Úrano a Júpiter e a Neptuno). Naturalmente, como noutros tempos, as ideias terão de cerrar fileiras e, se uns se colocam do lado da igualdade, promovendo uma sociedade mais justa, outros vão vender a divisão como garantia de um destino providencial (Saturno em quadratura com Úrano). De uma forma ou de outra, o desejo de mudança colide com a cristalização das estruturas de poder e o futuro ou trará uma sociedade melhor, ou a aurora dos novos totalitarismos. E a pandemia pode tornar-se uma lição e ser uma luz no caminho, avaliando-se o que está mal e quebrando as teias da desigualdade, ou a vontade de voltar a esse normal perdido pode imperar, agudizando-se assim as assimetrias sociais. Um tempo de crise profunda pode, porém, renovar a fé na humanidade e trazer, pelo menos a alguns, um processo de transformação (Plutão em sextil a Júpiter e Neptuno).

Este Eclipse Lunar vai tornar evidente a realidade última da interpretação astrológica é que, na verdade, tudo é luz e sombra. Ler o céu é simplesmente colher a luz certa, fitando a sua própria sombra.

terça-feira, 18 de maio de 2021

A Origem do Zodíaco - Circulação e Transmissão Cultural: Exemplo Textual



Stevens, K., 2019, Between Greece and Babylonia: Hellenistic Intellectual History in Cross-Cultural Perspective, 39-41.


As Aristotle’s claim about Egyptian and Babylonian observations implies, Greeks were engaging with the celestial scholarship of their eastern neighbours well before the Macedonian conquest. Some Mesopotamian constellation and star names were borrowed in the late second or early first millennium and are attested in fragmentary Greek astronomical poems from the eighth to the sixth centuries BC. If reliable, Pliny’s claim that the astronomer Cleostratus of Tenedos introduced the signa in the zodiac suggests that zodiacal constellations were known in the Greek world by the late sixth or fifth century, although not the uniform zodiac of twelve 30-degree signs, which was not invented in Babylonia until around 400 BC. Nor could the uniform zodiac have been known to Meton of Athens or his near-contemporary Euctemon around 430 BC: apart from questions of chronology, Daryn Lehoux has effectively demolished the thesis of Albert Rehm and Bartel Van der Waerden that Meton and Euctemon used zodiacal months to construct their parapegmata (lists of dates of solstices, equinoxes and annual risings and settings of fixed stars, combined with weather predictions). Meton did, however, draw on Babylonian celestial scholarship in another way. The Metonic Cycle attributed to him (the period of almost nineteen years where the solar year and lunar month coincide, which enabled the development of consistent intercalation schemes) is almost certainly derived from Babylonia, where a similar cycle had been in use since around 500 BC.

Secure evidence for Greek knowledge of the zodiacal constellations, although still not necessarily the uniform zodiac, comes in the fourth century with the Phenomena of Eudoxos of Knidos (ca. 390–340 BC), known today via a commentary by Hipparchus of Nicaea and Aratus’ versification of its contents in his Phenomena. Aratus’ statement that each night six ‘twelfth-parts (duodekades) of the (zodiacal) circle’ set and six rise could refer to the zodiac signs, but he makes no explicit mention of the 360-degree zodiacal circle, and Hipparchus’ criticism of Aratus for conflating the zodiacal constellations with the signs implies that neither he nor Eudoxos made this distinction. If De Caelo predates Alexander’s campaigns, Aristotle’s claims about planetary movements reported by the ‘Chaldaeans’ indicates that Greeks were also using Babylonian observational data before the Hellenistic period.

While these examples attest to cross-cultural contact, they are relatively isolated and self-contained; there is no evidence for detailed Greek knowledge of Babylonian astronomical or astrological scholarship before the third century BC. Unsurprisingly, then, the crucial period of cross-cultural exchange seems to have been that which brought the inhabitants of Greece and Mesopotamia into closer contact than ever before. We will examine the results of that contact across three areas of celestial enquiry: data and terms relating to celestial observation; methods of predicting celestial phenomena; and the concepts and techniques used to interpret the significance of these phenomena for events on Earth.



Stevens, K., 2019, Between Greece and Babylonia: Hellenistic Intellectual History in Cross-Cultural Perspective. Cambridge: Cambridge University Press.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Lua Nova em Touro Reflexões Astrológicas

 Reflexões Astrológicas

Lunações


Lua Nova em Touro

Lisboa, 20h00min, 12/05/2021

Decanato: Saturno

Termos: Júpiter

Monomoiria: Vénus

 

   A Lua Nova de Maio, no signo de Touro, ocorre antes do pôr-do-sol, estando portanto ainda no Segmento de Luz Diurno (αἵρεσις), com a Lua fora de segmento, mas com o Sol enfraquecido pela sua queda. Neste caso, o novilúnio acontece no decanato de Saturno, nos termos de Júpiter e na monomoiria de Vénus. A sizígia ou o encontro dos luminares dá-se perto do horizonte. A luz da alma e do espírito marcam o céu com um fogo que se extingue. Mercúrio e Vénus são Estrelas da Tarde e trazem consigo o anúncio da luz vespertina do crepúsculo, os dons criativos e as dádivas do coração.

   Este não é o tempo da razão e, embora estejam em Gémeos, o raciocínio estará toldado pela ideia da morte, pelo peso do fim e da finalidade (VIII), mas também pelo valor da palavra sentida, dado que Mercúrio e Vénus ladeiam a Caput Draconis, o termo de um caminho que determina a via que é a sabedoria da palavra (Sagitário-Gémeos) e a palavra da sabedoria (Gémeos-Sagitário). Esse eixo trilha, neste novilúnio, uma estrada que vai do Modo de Vida, o Viver (II) até à Morte e à sua qualidade (VIII), fixando assim a tradição e o valor, o conhecimento da morte e o absoluto que pertence à terra. Existe aqui uma necessidade imperativa de desapego que, neste caso, não é de bens materiais, mas sim de conceitos e ideias. Tudo se perde, todas as vaidades sucumbem perante o rosto luminoso da Deusa Sophia, pois o que julgamos pensar (Mercúrio) e amar (Vénus) são apenas sombras projectadas na caverna.

   O novilúnio de Maio fixa em Touro e no Poente (δύσις) a urgência de se olhar e se apreender o tempo da Terra, os seus ciclos maiores. Esse é o tempo que os astrólogos antigos, sobretudo aqueles que eram próximos do estoicismo, colocam entre a destruição e a criação, entre a conflagração e o dilúvio, ou seja, ora quando todos os planetas se encontrarem e se alinharem em Caranguejo (conflagração), ora quando se encontrarem e alinharem em Capricórnio (dilúvio), determinando assim a lição profunda do Thema Mundi (veja-se, por exemplo, Beroso Frag. 19 Jacoby ou Nechepso e Petosíris, Frag. 25 Riess). A posição de Úrano com os luminares, este já sob o horizonte, em Touro e no Poente (VII) introduz também aqui a revolução do céu, a transformação do humano, não apenas por Necessidade ou Providência, mas porque a Terra, porque Gaia também o exige. Para que um Novo Mundo nasça, a Mãe-Terra terá de entrar em trabalho de parto. Essa é a ordem da natureza: o Eterno Retorno.

  Saturno e Júpiter corroboram esta mensagem, dado estarem junto do Ponto Subterrâneo (IC) no Lugar Sob a Terra (IV). O Tempo e o Espaço servem pilares, de indicadores de contracção e expansão da Base ou Fundação do Mundo (IV). A humanidade aquariana transforma-se e transmuta-se a partir das raízes da realidade, tanto a externa como a interna. As posições junto aos eixos cardeais ou aos pólos do tema (κέντρα) são, segundo as já referidas lições de Petosíris, indicadores não de tensão mas sim de efectivação e estrutura. Este potencial cardeal é estimulado, trazido a uma dinâmica interactiva, pelas relações (aspectos) que através de si estabelecem.

   Marte, por exemplo, é a luz mais alta do céu. A força umbilical - por vezes aterradora - da Grande Mãe (Marte em Caranguejo) une os seus raios, a partir do Lugar de Deus (IX), em sextil, aos luminares, à Alma e ao Espírito, e à revolução do humano (Úrano), mas também em trígono ao amor universal (Neptuno) que repousa no interior da Cornucópia da Abundância, da Boa Fortuna (V) e, de igual forma, ao Leme da Vida (Asc.). Por outro lado, une-se diametralmente à pulsão da morte e ao poder do renascido (Plutão em Capricórnio), nos termos de Marte, no Lugar da Deusa. Da Vénus de Willendorf ou de Sheela na Gig a Maria, a Magdalena, Ísis é tudo para todos as mulheres, homens e crianças e essa visão de totalidade surge, por vezes, como um desafio. O Novo Humano terá de ser como Lúcio do Asno de Ouro de Apuleio.

   A sizígia da luz, bem como Úrano, participa igualmente deste potencial relacional, pois une-se também em sextil a Neptuno e em trígono a Plutão, que também se unem entre si em sextil. A luz submerge no mar e no submundo para regressar, para reemergir renascido do seio de Gaia. Note-se a subtileza de como os signos femininos marcam neste novilúnio um compasso de harmonia. No entanto, essa melodia do Eterno Feminino terá de incluir um trítono que, neste caso, surge da tensão de uma visão dual, aquela que transforma o Amor Universal num simulacro, numa ilusão de boa-venturança, de salvação. Esta é a quadratura de Neptuno tanto a Mercúrio e Vénus como ao Dragão da Lua.

   Porém, de uma outra forma, seguindo a harmonia das esferas, os que habitam o Lugar da Morte afundam o seu olhar de futuro no abismo profundo do Lugar Sob a Terra (Mercúrio e Vénus), conjugando as bênçãos com os que nele fazem a sua casa (Saturno e Júpiter). Estas dádivas vão do trígono de Mercúrio e Vénus a Saturno e Júpiter às relações benéficas (trígono e sextil) dos primeiros ao eixo de culminação e dos segundos ao Dragão da Lua. Aqui o masculino (Sagitário/Gémeos e Aquário/Leão) não poderá ser todavia um Osíris itifálico, faraó reinante, mas sim algo entre Thot, o guardião da palavra, e Anúbis, o guardião da morte. Os senhores do Olimpo (Saturno e Júpiter) estão no ventre da Terra (IV), mostrando que o poder (Capricórnio) é também ceder o lugar. A senhora primordial do Olimpo reergue-se do mar primordial. Eurínome será de novo rainha.

  Em suma, encontramos neste novilúnio uma síntese do que anteriormente se anunciou, bem como uma sugestão do que, no final deste mês, se pode conjugar: Júpiter em Peixes; um Eclipse Lunar; e Saturno e Mercúrio Retrógrado

Lua em Touro: De 10 a 12 de Maio de 2021


Lua em Touro: das 00h47min de hoje às 13h43min do dia 12.

terça-feira, 4 de maio de 2021

A Resposta de Ptolomeu aos Críticos da Astrologia: Exemplo Textual


Pedersen, O., 2011, A Survey of the Almagest401-3.

Ptolemy first refers to the obvious fact that the Sun regulates the seasons, thus influencing all forms of life on the Earth, and that the Moon governs the tides. This is obviously true; but now the principle of the uniformity of nature leads Ptolemy astray. He maintains that also the water in rivers increases and diminishes with the light of the Moon, and that plants and animals are sympathetic to it because of their
moist nature. Now the Sun and Moon are only two representatives of the heavenly bodies, and all the rest must be supposed to cause similar effects. Even the fixed stars are assumed to have a direct influence on meteo'rological conditions. These many influences can mutually interfere, so that their total effect on a particular phenomenon is determined by. the positions of the heavenly bodies relative to each' other, i.e. by their various aspects. The argument continues by stating that the influence of the Sun is felt even by animals, and that farmers and herdsmen are able to make predictions from the stars based ,upon repeated everyday observations. The same is the case with sailors. On the other hand, the more intricate predictions are possible only for people able to observe and describe the aspects of the heaven in greater detail, i.e for professional astronomers.

Having thus established a positive basis for astrology, Ptolemy t,ries to refute some of the criticisms, levelled 'against it. That charlatans and impostors have been unable to make true predictions proves nothing but that they are uninstructed and take too few of the relevant circumstances into account. No science is discredited because ignoramuses misuse it. Admittedly astrology is a difficult science, but if the astrologer does not promise too much, and if he has a solid astronomical background, one should not deny the possibility of making plausible predictions, just as we do not dismiss the whole science of navigation because pilots sometimes err. 

Besides being possible, astrology is also beneficial. Again Ptolemy begins with a number of positive reasons. First he points to the general pleasure and satisfaction connected with any true insight into things, both human and divine. (The inference is that, everything considered, Ptolemy attaches more importance to delight in knowledge as such than to, its practical utility.) But astrology is particularly useful as a means of knowing what is harmful or good for both body and soul, ,enabling us to predict not only occasional diseases or the length of life, but also external· circumstances which have a direct and natural connection with the original gifts of nature, such as property and marriage in the case of the body, and honour and dignity in the case of the soul.

Among the objections to the usefulness of astrology is that it does not help people to become rich or famous, but only reveals their unavoidable fate, which were better if it remair:ed hidcen. To the first part of this rather materialistic objection Ptolemy remarks that the sarr:e is true of all philosophy, since knowledge as such does not lead to material gains.. To the latter part he replies as a true Stoic philosopher that the foreknowledge of the unavoidable is useful to the soul, which can thus rejoice in future pleasures or compose itself to meet future pains with calm and steadiness. 

This defense of astrology is an intelligent piece of reasoning which shows that Ptolemy was no uncritical adherent of a doctrine which to later times appears as mere superstition. On the one hand he tried to find a rational basis making the possibility of predictions acceptable. On the other hand he was completely aware that the empirical foundation of astrology was much weaker than that of astronomy, resting as it did upon everyday experiences in contrast to the precise observations of the Almagest, and upon correlations of a not too satisfactory character. He thus had to place astrology at a lower scientific level than astronomy, and it is worth noticing that astrology found no place whatever in the Almagest (cf. Kattsoff, 1947, p. 18). To Ptolemy the precise mathematical theories of the Almagest not only represent the highest level astronomy was able to attain, but also the very summit of human knowledge. Not all his followers retained this order; many Arab and Mediaeval astronomers considered planetary theory as a simple introduction to the art of prediction, thus separating Ptolemy's results from the spirit in which they had been achieved.


Pedersen, O., 2011, A Survey of the Almagest, with Annotation and New Commentary by A. Jones. Nova Iorque: Springer Science+Business Media.

Mercúrio em Gémeos: De 4 de Maio a 11 de Julho de 2021


Mercúrio em Gémeos: De 4 de Maio a 11 de Julho.

Mercúrio ingressa em Gémeos às 03h49min.

sábado, 1 de maio de 2021

Lua Fora de Curso: Maio de 2021

 
Lua Fora de Curso

Maio de 2021


A Lua, como qualquer Planeta, quando está Vazio ou Fora de Curso, preserva um princípio de continuidade cíclica, embora desconectada, mas perde o sentido de direcção. Existe uma ausência de finalidade, apesar de existir movimento.

Os períodos em que a Lua está Fora de Curso devem ser tidos em consideração para melhor se decidir o tempo de agir ou pensar, de falar ou calar.