Rodolfo Miguel de Figueiredo
Da Astrologia. Do Tarot. Da Filosofia. Da Literatura. Das Religiões.
quinta-feira, 19 de março de 2026
O Resto Permanece Humano: Livro V - Poema 1
domingo, 8 de março de 2026
Lançamento: O Resto Permanece Humano - Livro V
Lançamento
O Resto Permanece Humano: Livro V
Sinopse
O Resto Permanece Humano é um projecto editorial que começou por reunir alguns poemas publicados no blogue com o mesmo nome, bem como nos outros sítios e redes sociais do autor, mas que, com o tempo, se tornou um projecto de continuidade, em livros como algumas das obras fragmentárias da Antiguidade, inacabadas e incompletas.
Os cento e um poemas que estão reunidos neste quinto livro foram escritos em 2025, entre Fevereiro e Novembro, todavia, este livro difere dos Livros I, II, III e IV, pois todos os poemas se resumem a única temática: o amor. E não é o amor num sentido amplo e diverso, é o amor centrado numa única pessoa, numa mulher. Este é um amor move o Sol e todas as estrelas e que trouxe uma profunda transformação. Era portanto impossível não lhe dar, em livro, um lugar que é seu por direito.
A obra cujo título segue os versos de Ovídio, “cetera sunt hominis, partem damnatur in unam /induiturque aures lente gradientis aselli” (Metamorfoses, XI, 178-9), pretende mostrar que, quando a acção humana e a espuma dos dias colocam o humano em remissão, esvaziando o sentido de humanidade, existe sempre algo que resta, algo que conserva esse humano que se perde. A sabedoria continua a ser um caminho de redenção. Neste livro, o amor e a sabedoria são um só e o amor da sabedoria e a sabedoria do amor são alcançados, neste caso, através de uma mulher, a quem o livro é dedicado.
Edição Comum (Paperback)
Edição: Março de 2026
Páginas: 158
ISBN: 9798246013014
Preço: 12,00€ (UE)
Comprar https://www.amazon.es/-/pt/gp/aw/d/B0GKNX8W2Z
Edição Especial (Hardcover)
Edição: Março de 2025
Páginas: 158
ISBN: 9798248701063
Preço: 17,00€ (UE)
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Ebook
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terça-feira, 3 de março de 2026
Reflexões Astrológicas 2026: Eclipse Lunar Total (Lua Cheia Virgem-Peixes)
Reflexões Astrológicas
Eclipses
Lisboa, 11h33min, 03/03/2025
Lua
Decanato: Vénus
Termos: Vénus
Monomoiria: Vénus
Sol
Decanato: Júpiter
Termos: Júpiter
Monomoiria: Saturno
O Eclipse Lunar Total de dia 3 de Março
ocorre com a Lua no signo de Virgem e com o Sol no de Peixes, com Gémeos a
marcar a hora e cerca de quatro horas e meia após o nascer-do-sol (hora de
Lisboa), logo no Segmento de Luz (αἵρεσις) do Sol, estando este acima do
horizonte, na X, no lugar da Práxis (πράξις), daquilo que se faz e da efectivação da possibilidade, já
a Lua está abaixo do horizonte, na IV, no lugar sob a Terra (ὑπόγειον), no submundo, embora o eixo de Culminação se encontra
entre a IX e a III. A Lua encontra-se pois no decanato, nos termos e na monomoiria de Vénus, enquanto o Sol
encontra-se no decanato e nos termos de Júpiter e na monomoiria de Saturno. Com esta última excepção, a monomoiria do Sol ser a de Saturno, a
três dignidades estão sob a regência dos benéficos, respectivamente Júpiter
para o Sol e Vénus para a Lua.
Numa análise imediata, para além da
questão das dignidades, devemos também ter consideração que, à semelhança do
tema do eclipse solar, Gémeos marca hora e Aquário culmina e Marte é igualmente
o astro mais alto, no mesmo caminho que se inicia em Úrano. No entanto, existe
uma diferença substantiva. No eclipse anterior, Marte encontrava-se em Aquário
e Úrano em Touro, marcando assim um aspecto quadrangular e uma dinâmica de
tensão, enquanto agora com Marte já em Peixes o aspecto passa a ser hexagonal e
a dinâmica benigna, apelando a uma iniciativa que congregue a ideia de vida taurina
com a ideia de totalidade pisciana. Sendo os dois signos femininos, e estando
Vénus em exaltação, a universalidade do amor e da compaixão e a sua integração
com a defesa do planeta, da vida torna-se mais expressiva.
Com o eclipse solar de dia 17 de
Fevereiro iniciou-se a passagem no ciclo nodal do eixo Virgem-Peixes para o
eixo Leão-Aquário. De facto, em termos de eclipses solares essa passagem já
terminou, todavia, no que aos eclipses lunares concerne a passagem ainda está
em curso. O eclipse actual é o penúltimo com a Lua em Virgem, o próximo será a
20 de Fevereiro de 2027, e o antepenúltimo do eixo, ou seja, existirá ainda um
eclipse com a Lua em Peixes, a 28 de Agosto do corrente ano. Se pensarmos que
os eclipses lunares têm uma maior relação com os fenómenos naturais e as
dinâmicas do planeta que os eclipses solares, com um peso maior sobre a
realidade civilizacional, seja ela política, social ou militar, podemos
observar que o eixo de integração (Virgem-Peixes) vê ainda uma incidência da
sombra sobre a sua relação com a natureza e com o planeta. O eixo de integração
que contempla a relação da parte com o todo verifica pois uma ocultação do seu
potencial transformador face à gravidade da sombra.
Pela própria natureza dos signos e,
neste caso, pela especificidade astro-mitológica do signo de Virgem, já
analisada por diversas vezes, é facilmente verificável o peso do manto umbral
sobre o feminino, sobre o Divino Feminino. Um outro aspecto observável no tema
de Lisboa é a dupla ocultação da Lua. Por um lado, temos a ocultação própria de
um eclipse lunar e, por outro, temos primeiro a ocultação via segmento de luz,
ou seja, o segmento dominante é o do Sol e a Lua encontra-se abaixo do
horizonte e, em segundo, ela encontra-se no quarto lugar, o Lugar sob a Terra,
a casa do submundo, do Tártaro. Em termos de pronoia astrológica, esta forte ocultação da Lua, considerando a
sua influência sobre o planeta, poderá ter um impacto significativo em
fenómenos naturais extremos. Os sismos e as erupções vulcânicas estarão
altamente potenciados. Não só por esta condição da Lua, mas também pela relação
quadrangular entre Úrano em Touro e Plutão em Aquário e por Marte ser o astro
mais alto. Claro que com Marte em Peixes as tempestades e os tufões, ou sismos
com origem no mar, devem também ser considerados.
De um ponto de vista mitológico ou
astro-mitológico, a ausência da Deusa, o seu abandono da terra devido à
perfídia humana traduz a inquietação planetária da Mãe-Terra. Gaia, nesta caso
sob a forma de Astreia ou de Dikê,
traz à humanidade o peso da desmedida. A Terra, como um único organismo vivo, e
se quisermos divino, transporta consigo um princípio de causalidade. As
agressões que têm sido cometidas, a destruição e utilização desenfreada dos
recursos têm necessariamente um efeito, uma consequência, ou seja, o planeta, a
Mãe-Terra, reage. A sombra sobre a luz do feminino é um alerta claro para esse
princípio de causalidade. A passagem de Hesíodo, em Os Trabalhos e os Dias, já citada anteriormente, afirma o seguinte:
“E ela segue-os, chorando pela cidade e
pelas moradas dos povos, / vestida da névoa, trazendo desventura aos homens que
a baniram e a não distribuem com rectidão” (222-4 / trad. A. Elias Pinheiro & J. Ribeiro Ferreira. 2005: 100. Lisboa:
INCM). Existe uma negação do princípio
feminino, uma rejeição. No entanto, a Deusa não sobe logo para o Olimpo,
primeira refugia-se na montanha, ou seja, apesar da rejeição, a Astreia tem
relutância em abandonar a humanidade. No fundo, a Deusa acredita no humano e na
sua transformação. A esperança, a compaixão e a solidariedade são tudo aquilo
que salva a humanidade. A exaltação de Vénus de Peixes aponta para essa fé no
humano.
O eclipse lunar de dia 3 terá uma influência temporal
mais intensa entre um a três meses que, se atentarmos à declinação dos
luminares e à duração do período penumbral, poderá estender-se até aos seis
meses. Devemos, todavia, estabelecer uma influência mais acentuada até eclipse
lunar de 28 de Agosto. Quanto à influência geográfica do eclipse, o meridiano
que lhe serve de centro é particamente aquele que separa a Ásia da América, ou
seja, os territórios russos e norte-americano do Alasca. Este aspecto
geográfico é significativo sobretudo se tivermos em consideração que a relação
entre a América de Trump e a Rússia de Putin é algo sombria ou obscura. Os
territórios abrangidos por este eclipse são vastos, tanto no manto umbral como
penumbral, exclui-se apenas a África e a Europa e Ásia ocidental.
Segundo as regências geográficas antigas, Vétio Valente (Antologia I, 2) diz-nos que Virgem rege a
Mesopotâmia, a Babilónia, a Grécia, a Acaia (Grécia), Creta, Cíclades (Grécia),
Peloponeso, Arcádia, Cirene (Líbia), Dória (Grécia), Sicília e Pérsia ou Parsa
(Irão). Manílio, por seu lado, afirma que a Jónia (Turquia), a Cária (Turquia),
Rodes e a Grécia estão sob a sua influência (Astronomica IV, 763-8). Já Peixes exerce influência sobre o
Eufrates e o Tigre, a Síria, o Mar Vermelho e o Mar Arábico, a Índia, a
Média-Pérsia e as regiões circundantes, o rio Borístenes ou Boristene
(Dniepre), a Trácia, a Ásia e a Sardenha. Manílio, por seu lado, concede a
Peixes o Eufrates, o Tigre e o Mar Vermelho, as terras da Pártia, a Báctria, a
Etiópia, a Babilónia, Susa e Nínive (Astronomica IV, 800-6).
O eclipse lunar de 3 de Março
pertence à série Saros 133, sendo o 27º eclipse de um total de 73. O período de
eclipses totais iniciou-se a 28 de Dezembro de 1917 e só terminará a 3 de
Agosto de 2278. Como já é sabido, o eclipse inicial serve de matriz de sentido
para toda a série. Ora o primeiro eclipse desta série ocorreu a 13 de Maio de
1557 (Calendário Juliano). A Lua estava em Sagitário e o Sol em Gémeos, já o
Dragão da Lua estendia-se de Escorpião (Cauda)
a Touro (Caput). Mercúrio, Vénus e
Saturno estavam em Touro, Marte retrógrado em Balança e Júpiter retrógrado em
Capricórnio. No transaturninos, Úrano retrógrado estava em Escorpião, Neptuno
em Touro e Plutão em Peixes. Nesta data e na hora de Lisboa, Leão marcava a
hora e Carneiro culminava. A série Saros 133 terminará a 29 de Junho de 2819,
com um eclipse no eixo Gémeos-Sagitário, ou seja, com a Lua em Sagitário e o
Sol em Gémeos.
A comparação do tema do eclipse com o tema do
eclipse-matriz revela uma conjunta de particularidades que servem especialmente
para demonstrar como o eclipse apresenta uma activação de toda a série e do
sentido original. Primeiro, o eixo dos luminares encontra-se onde hoje se
encontra o eixo de ascensão, ou seja, no eixo Gémeos-Sagitário. Em segundo
lugar, o Ponto de Culminação do eclipse-matriz onde hoje se encontra Saturno e
Neptuno, em Carneio. Em terceiro, existe uma forte presença planetária na
relação Touro-Peixes tanto na matriz como agora. Estes são apenas alguns
aspectos que revelam essa activação do sentido da série e uma efectivação da
sua mensagem.
Do ponto de vista histórico, o ano de 1557, o ano do eclipse-matriz, foi marcado
por intensos confrontos entre as grandes potências europeias, por avanços
significativos da expansão espanhola nas Américas e por um ambiente político‑religioso
cada vez mais tenso. Em Inglaterra, a declaração de guerra à França inseriu-se
no jogo de alianças dinásticas entre Maria I e Filipe II de Espanha,
contribuindo para o agravamento dos conflitos que já opunham franceses e
espanhóis. Esse clima culminou na decisiva Batalha de São Quintim, a 10 de Agosto,
onde as forças dos Habsburgo derrotaram as francesas e reforçaram o seu domínio
no continente.
No mesmo ano, a Europa assistiu
também a debates teológicos em Worms que reflectiam a profunda da divisão
provocada pela Reforma Protestante. No continente americano, o Império Espanhol
consolidava a sua presença. Foram fundadas cidades como Cuenca, no actual
Equador, e Trujillo, na Venezuela, reforçando a malha administrativa colonial.
No Chile, a resistência indígena enfrentou momentos decisivos: a morte do líder
mapuche Lautaro, na Batalha de Mataquito, enfraqueceu temporariamente a luta
contra os conquistadores, enquanto confrontos como o de Lagunillas mostravam a
persistência da resistência araucana. As explorações marítimas também
avançaram, com Juan Ladrillero a alcançar a Ilha da Desolação, contribuindo
para o conhecimento europeu das rotas austrais.
No norte da Europa, movimentos políticos e religiosos continuavam a ganhar força. A formação do Primeiro Pacto dos Protestantes Escoceses marcou um passo importante na afirmação do protestantismo na Escócia, enquanto nos Países Baixos a reunião dos Estados Gerais evidenciava tensões que, mais tarde, culminariam na revolta contra o domínio espanhol. Os factos históricos em torno do eclipse são particularmente revelantes, pois não só revelam a significação de toda a série como apresentam indicadores de sentido muito relevantes para a análise do eclipse actual. As tensões de 1557 não são muito diferentes das actuais. O acumular de situações, a guerra na Ucrânia, o genocídio na Palestina, as invasões da Venezuela e do Irão em nome da democracia, mas com capitalismo selvagem e a ganância do petróleo como pano de fundo, é um claro sinal desta comparação dos tempos e do sentido da série Saros. A desmedida autocrática é a demonstração do lado maligno da conjunção de Saturno e de Neptuno em Carneiro. No entanto, se pensarmos o avanço de Marte de Aquário para Peixes permitindo um aspecto benéfico a Úrano em Touro, traz consigo um potencial de escolha sobre a agressão, sobre a desmedida no mundo.
Ora esses aspectos, a par da retrogradação de Mercúrio em
Peixes e da concentração planetária neste signo (Marte, Caput Draconis, Sol, Mercúrio e Vénus), permitem ao humano uma
reformulação da sua forma de estar no mundo, de como lidar com a ofensa, de
como agir e de como não dar poder a quem ofende. Epicteto, nas Diatribes, diz-nos: “Homem, não contemples o espectáculo e não te
oprimas. Qual é o problema? Ou espera um pouco e, quando terminar o
espectáculo, senta no lugar dos senadores e toma um banho de sol. Em geral,
pois, lembra-te disto: nós mesmos nos afligimos, nós mesmos nos colocamos em
aperto – isto é: as nossas opiniões nos afligem e nos põe em aperto. O que é
ser ofendido? Põe-te diante de uma pedra e ofende-a. O que obténs? Se alguém
escutar como uma pedra, que vantagem há para quem ofende? Mas se possuir uma
fraqueza, aquele que ofende, ao ofender, terá um meio de acesso e, então,
conseguirá algo.” (I.25, 27-9, trad.
Dinucci, 153. Coimbra, 2020: IUC).
Perante os grandes acontecimentos do mundo, o olhar para dentro, para a
cidadela interior, e transformar a sua própria realidade pode ser a chave que
abre no peito, no coração, o verdadeiro poder. A Imperatriz torna o coração,
faz do amor, uma romã que espalha as suas sementes no mundo
O trígono de Marte em Peixes a
Júpiter retrógrado em Caranguejo, estando este no tema de Lisboa na II, no
lugar da vida e do valor, vem alertar para uma realidade social que permeia as sociedades
e, face ao ódio, à agressão, à diminuição do outro, parece sempre esquecida, ou
disfarçada sob o véu da caridade dominical. A pobreza e as desigualdades
sociais são o verdadeiro inimigo da humanidade. Séneca
questiona-nos, afirmando o seguinte: “O
mais rico de todos os povos não será aquele em que é impossível encontrar um
pobre?” (Ep.90.38; Cartas a Lucílio,
2ª ed,, trad. J. A. Segurado e Campos. Lisboa, 2004: Fundação Calouste
Gulbenkian). O sextil dos planetas em
Peixes a Úrano em Touro exorta a um renovado espírito revolucionário. No caso
português, enquanto existir pobreza e desigualdade social Abril estará por
cobrir. Para o humano, a revolução tem de ser permanente e não um mero estado
transitório, não apenas um epifenómeno civilizacional ou pessoal, mas sim um
processo permanentemente em curso. O espírito revolucionário é também a nobreza
do espírito.
Como
estamos a viver um eclipse, o peso da sombra, a gravidade da ocultação tem
necessariamente a sua influência. O destino, uma vez que a Lua se une à Cauda Draconis em Virgem, vem trazer a sombra aos aspectos da vida
pessoal e colectiva que pedem reflexão e transformação. O próprio trígono entre
a Lua umbral e Úrano serve esse propósito. Neste caso, existe todavia um certo
esforço, ou seja, a Necessidade vem pedir restruturação e para isso é preciso
quebrar as velhas estruturas. Face ao tema de Lisboa, pode ser necessário
destruir a casa para construir um lar. Se a sombra cai sobre a parte (Lua em
Virgem), a luz solar no alto do tema (Sol em Peixes) clama por totalidade, por
envolvimento amoroso (Vénus exaltada). No fim, só o amor faz o humano.
A análise dos aspectos, das relações que formam o tema
deste eclipse mostra-nos que, para além da oposição umbral e das conjunções ou
das co-presenças que os antigos não designariam exactamente como um aspecto,
existe uma maior predominância de sextis e trígonos que de quadraturas,
revelando essa ponte entre o destino e a acção, a liberdade de fazer do
carácter o seu próprio destino. Porém, existem sempre os dois lados e, a par da
transformação interior, existe uma restruturação exterior, infelizmente pela
via da tensão e da destruição que clama, como um tambor de guerra, pela criação
de uma verdadeiramente humanidade.
A quadratura de Saturno e Neptuno em Carneiro a Júpiter
retrógrado em Caranguejo e quadratura de Úrano em Touro a Plutão em Aquário
trazem consigo essa força motriz. Como a astrologia deve representar a
realidade e não transformá-la numa alucinação em que tudo é maravilhoso, estes
aspectos transportam um potencial de destruição imenso. No entanto, o sentido,
tendo o Tarot como pano de fundo, não é tanto a relação entre o Diabo e a
Torre, mas sim entre a Torre e a Estrela. É preciso encontrar, entre as ruínas
do passado, a esperança no futuro. Existe sempre na realidade um tesouro, algo
que nos faz acreditar e continuar a caminhar. Há um perigo todavia a pairar
sobre o horizonte que é colocar a fé numa corrupção do humano, num falso ideal.
A conjunção Saturno-Neptuno em Carneiro alerta para o perigo do endeusamento
dos líderes.
Em suma, este eclipse de dia 3 de Março, por acontecer com a Lua em Virgem, e estando o seu regente, Mercúrio, retrógrado e no signo contrário, Peixes, coloca a sombra sobre a palavra, sobre aquilo que se transmite. A distorção da palavra, dos conceitos, das ideias, corrompe a realidade e o projecto universal de transformação do humano e de criação de uma verdadeira humanidade. Falta pois compaixão na palavra e palavra na acção.
domingo, 1 de março de 2026
Calendário Astrológico 2026: Março
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Reflexões Astrológicas 2026: Eclipse Solar Anular (Lua Nova em Aquário)
Reflexões Astrológicas
Eclipses
Eclipse Solar Anular
(Lua Nova em Aquário)
Lisboa, 12h 11min, 17/02/2026
Sol-Lua
Decanato: Lua
Termos: Saturno
Monomoiria: Saturno
O
Eclipse Solar Anular de 17 de Fevereiro ocorre no signo de Aquário, com Gémeos
a marcar a hora (hora de Lisboa), no Segmento de Luz (αἵρεσις) do Sol, com os luminares acima do horizonte, na IX, no
lugar de Deus, do deus Sol, mas junto do Ponto de Culminação (MC), e cerca de
cinco horas após o pôr-do-sol, no decanato da Lua, nos termos e na monomoiria do Saturno, e a escassos
minutos do grau anarético. Destaca-se
pois, na leitura imediata de tema, o facto de Marte ser o astro mais alto, em
conjunção ao Ponto de Culminação, num caminho ascendente que se inicia com Úrano
em Touro, num lugar de pós-ascensão. Esta relação quadrangular torna-se assim
significativa, revelando nomeadamente a ruptura entre a humanidade (Aquário) e
a Mãe-Terra (Touro). A negação das alterações climáticas em oposição aos
fenómenos naturais extremos revela esta dicotomia. O peso da morte (Plutão em
Aquário) paira, desta forma, sobre a humanidade.
Este é o primeiro eclipse no eixo
Aquário-Leão, ou seja, avançamos no ciclo nodal do eixo de integração
Peixes-Virgem para o eixo de criação Aquário-Leão. No entanto, existe um
sentido profundo que conserva a sua continuidade. A ponte entre singularidade e
pluralidade é mantida em ambos os eixos, estando os dois naturalmente sobre o
peso do manto umbral. No eixo Peixes-Virgem, estabelecia-se, para lá da sombra,
um elemento de passagem entre o todo e a parte, já no eixo Aquário-Leão, o
elemento funda-se na viagem entre a humanidade e o humano. Convém, todavia,
salientar-se que o humano de Leão é, na verdade, o divino, o sol radiante. Em
Leão, se o herói sacrificar o ego, a nobreza da alma reconhecerá o divino em si
mesmo. Esta é uma ideia que encontramos, por exemplo, em Rumi, em Meister
Eckart ou no Evangelho de Tomé. O divino não está em igrejas, mesquitas,
sinagogas ou em qualquer templo de pedra está no interior de cada um. É a luz que
brilha quando tudo é escuridão. É, desta forma, o reconhecimento do divino em
nós que nos torna humanos e que nos permite, num elemento agregador de
passagem, a criação de uma verdadeira humanidade. Este é o eixo de criação
Leão-Aquário.
No actual ciclo nodal, a sombra
impõe-se agora sobre o signo de Aquário e o corpo do Dragão da Lua coloca a sua
cabeça nesta constelação e a cauda na oposta, em Leão. Ora este posicionamento
firma assim a sombra sobre o sentido de humano e de humanidade. Deste modo, o
Dragão da Lua vai dar gravidade à Necessidade (Caput) sobre a humanidade e ao Destino (Cauda) sobre o humano. A Providência estabelece consequentemente os
seus ditames ao querer refundar o sentido de humanidade no humano. Numa visão
astro-mitológica, o eixo Aquário-Leão vai simbolizar a relação homoerótica
entre Ganimedes e Zeus (Júpiter), algo particularmente significativo com o
ingresso de Júpiter em Leão no final de Junho.
Já tínhamos considerado a matriz
etimológica do nome Ganimedes (Figueiredo,
R. M., 2024, Reflexões Astrológicas 2023: Parte I, 20. Lisboa: Livros – Rodolfo
Miguel de Figueiredo). Ora o
nome próprio tem a sua raiz na forma verbal γάνυμαι
que designa o “alegrar-se” ou o
“irradiar alegria”, mas também no substantivo μήδων, ou seja, os “genitais”.
Sob a forma de águia, Zeus rapta Ganimedes e leva-o para o Olimpo, tornando-o o
copeiro dos deuses, aquele que verte o néctar (ou o sémen). Platão, na célebre
passagem que compara a alma a um carro puxado por cavalos que exercem forças
contrárias e cujo auriga terá de dominar, diz-nos o seguinte acerca do amor e
do desejo, considerando o caso de Ganimedes e Zeus: “Precisamente por isso, o jovem amado é
servido com toda a solicitude, como um deus, não por quem finge amar, mas por
quem experimenta verdadeiramente esse sentimento; ele mesmo torna-se
naturalmente amigo de quem o serve. Mesmo que, no passado, tenha sido
dissuadido pelos companheiros ou por torna-se naturalmente amigo de quem o
serve. Mesmo que, outros quaisquer, ao dizerem-lhe que é vergonhoso aproximar-
-se de quem ama, induzindo-o a repelir por isso o amoroso, com o avançar do
tempo, no entanto, a juventude e a necessidade levam-no a admiti-lo na sua
intimidade. Não quis o destino que o malvado fosse amigo do malvado nem que o
corajoso não fosse do corajoso. Logo que o amado admite e aceita escutar a sua
conversa e viver na sua companhia, a benevolência do amante, olhada de perto,
causa-lhe perturbação, ao aperceber-se de que todos os outros, amigos e familiares,
não oferecem qualquer parcela de amizade em confronto com o amigo que é presa
da possessão de um deus. Quando persevera falei nessa conduta e se avizinha
dele para o tocar nos ginásios e em outros locais de reunião, então o manancial
da corrente de que e a que Zeus, enamorado de Ganimedes, deu o nome de desejo,
canalizada em abundância para o amante, penetra dentro dele uma parte, e a
outra, uma vez repleto, transborda para o exterior. E, qual vento ou um eco
que, ressaltando nas superfícies lisas e sólidas, regressa ao ponto donde
partiu, assim o fluxo vindo da beleza regressa de novo ao jovem belo através
dos olhos que são a entrada natural da alma.” (Platão, Fedro 255a-c,
trad. J. Ribeiro Ferreira. Lisboa Edições 70, 1997).
Primeiramente, e contrariando um pouco Platão, este
caminho amoroso de descrição homoerótica é idêntico ao amor heterossexual.
Lembremo-nos, por exemplo, da poesia trovadoresca e da deificação da amada nas
cantigas de amigo e de amor. Já do ponto de vista astrológico dir-se-ia que
este processo pertence a Vénus, ou na astrologia esotérica poderia pertencer
também a Neptuno, como uma expressão de Vénus numa oitava acima, todavia na
ponte do Sol a Saturno, ou vice-versa, no caminho Leão-Aquário, vamos encontrar
também a dinâmica do amor. A razão é tão simples quanto a formulação: é o
amor que faz o humano e é o amor que constrói a humanidade. Se considerarmos a
ordem vernal depois de Aquário, o signo da humanidade, vem Peixes, o signo da
totalidade e o lugar de exaltação de Vénus, logo o amor como potência do eixo
de criação revela de facto o seu sentido profundo.
Esta associação astro-mitológica entre o mito de Zeus e
Ganimedes e o eixo Leão-Aquário encontra-se também numa descrição de Quinto de
Esmirna, em A Queda de Tróia (8.427
e ss.),
quando nos diz que, ao ver a sua cidade em chamas e seus compatriotas a serem
chacinados, Ganimedes exorta amorosamente a Zeus pela sua clemência e pela sua intervenção.
Ora Zeus acende às súplicas do amado e lança uma tempestade de trovões e relâmpagos
que extingue o fogo e faz dispersar os exércitos gregos, obrigando-os a
regressar à sua terra-natal. Ganimedes incorpora neste mito o sentido de
humanidade e consequentemente o signo de Aquário, tal como Zeus (Júpiter) que, ao fazer essa
passagem entre o divino e o humano, transmite o sentido profundo do signo de
Leão, ou seja, a nobreza da alma. Este é um aspecto que se torna
particularmente interessante se pensarmos que Zeus evitou sempre intervir no
conflito da guerra da Tróia. Foi o amor que condicionou agora essa intervenção,
o que lhe concede um carácter particularmente distinto.
Com um eclipse solar neste eixo, a
sombra, a ocultação da luz, vai incidir sobre este binómio humano-humanidade.
Ora não é difícil de perceber esta significação, pois estamos a viver, com o
avanço do populismo e da extrema-direita, um processo desumanização e de
remissão do valor de humanidade. O exemplo mais assustador neste processo é o de
Gaza. A forma passiva como os líderes mundiais e muita gente assiste, em directo,
a um genocídio é um exemplo claro desse processo. A desmedida do ódio pelo
outro, pelo estrangeiro, por aquele é que diferente, seja por que razão for, é
a demonstração da falência da humanidade. Se pensarmos que o eixo Leão-Aquário
está muito associado à luz, sendo Leão o domicílio do Sol e Aquário o de
Saturno, tendo sido este designado pelos babilónicos como o Sol da Noite (cf. van der Sluijs, M. A. & P. James, 2013, “Saturn
as the Sun of Night in Ancient Near Eastern Tradition” in Aula Orientalis 31.2, 279-321),
substituindo o luminar na sua ocultação nocturna, o peso da sombra torna-se
então mais expressivo.
Na relação entre a luz e a sombra, e
agora com eclipse solar no signo de Aquário, tem de se considerar a morte como
elemento essencial de sentido, por duas razões: a posição de Aquário no Thema Mundi e o facto de Plutão se
encontrar em Aquário. Como já observarmos, por diversas vezes, o Thema Mundi possui uma enorme riqueza
significativa, infelizmente subjugada à hegemonia da ordem vernal. Ora, no Thema Mundi, Aquário ocupa o oitavo
lugar, o lugar da Morte, ou da qualidade da morte como alguns referem. Este
posicionamento não é inocente. Os antigos astrólogos colocaram os luminares nas
duas primeiras casas, ou seja, com Caranguejo a marcar a hora, a Lua na I e,
com Leão, o Sol na II, deste modo, os dois signos cujo domicílio é Saturno
vão-se encontrar nos signos opostos, respectivamente Capricórnio e Aquário.
Sabemos que a razão desta distribuição teria sido inspirados nos templos de
Mitra e naturalmente no nascimento e morte da luz solar, confirmando-se assim a
designação babilónica de Saturno enquanto Sol
da Noite.
Na ordem vernal e com as regências
modernas, Escorpião ocupa a casa VII, tendo Plutão como seu regente. É assim
que se encontra a ligação e a persistência do sentido profundo da morte no
actual eclipse. Séneca diz-nos o seguinte
acerca da morte: “A morte não tem em si
nada de nocivo, porquanto uma coisa, para ser nociva, deve primeiro existir! Se
tens assim um tão grande desejo de uma vida mais longa, pensa então que nada
daquilo que se escapa aos nossos olhos para mergulhar na natureza (da qual tudo
proveio e à qual tudo em breve há-de regressar) se destrói por completo; as
coisas cessam, mas não se perdem; a morte - que nos enche de terror, que nós
nos recusamos a aceitar - interrompe a vida, mas não lhe põe termo; virá um dia
em que novamente veremos a luz, num regresso à vida que muitos recusariam sem o
prévio esquecimento da vida passada!” (Ep.35.9-10;
Cartas a Lucílio, 2ª ed,, trad. J. A. Segurado e Campos. Lisboa, 2004:
Fundação Calouste Gulbenkian). A morte surge assim
como uma confirmação da continuidade e da persistência da vida. É a ideia de
que a morte é semente, ou seja, uma significação atribuída a Plutão enquanto
senhor do que existe sob a terra, o submundo e o lugar da semente.
O
eclipse solar de dia 17 tem o seu centro geográfico, o seu foco de escuridão,
ao largo da Antárctida, entre a Davis Station e a Casey Station. Se
considerarmos a importância deste continente para preservação do nosso planeta,
a localização ganha uma significação importante, e se pensarmos que eclipses
solares tendem a assumir um sentido político maior que os eclipses lunares,
podemos assumir a relevância política da conservação da Antárctida para a
emergência climática. Os governos que continuamente negam esta emergência estão
a cometer um crime contra humanidade, aqui também no sentido aquariano. O manto
umbral estende-se depois pelo Oceano Índico, passando também pelo continente
africano, pela África do Sul, Botsuana, Moçambique, Zimbabué, Malawi, Zâmbia, Tanzânia,
e mais ligeiramente pela Austrália, pela Índia pelo Sri Lanka.
Nas regências geográficas antigas,
Vétio Valente (Antologia I,
2)
diz-nos que Aquário rege sobretudo o
Egipto, a Síria, a área entre o Eufrates e o Tigre (Médio Oriente), a Líbia, a
região do vale do Indo (entre o Paquistão e a Índia, Tanais (nas imediações da
actual Rostov-on-Don, Rússia, perto da fronteira com a Ucrânia e a Geórgia), e
dos rios Eufrates e Tigre, desde os Hiperbóreas, para norte e oeste (países de
leste e Escandinávia). Já Manílio designa que Aquário rege as áreas do Egipto à
Fenícia, e a própria cidade de Tiro (Líbano), a Cilícia (Anatólia, Turquia) e
as planícies que fazem fronteira com a Cária (Turquia), ou seja, a Lídia e
Panfília (ambas na actual Turquia) (Astronomica IV, 797-9). Heféstion vai sintetizar com parte
das mesmas áreas de Vétio Valente e que estão de acordo com a Sphaerica, acrescentando as referidas por
Ptolemeu, ou seja, a Sauromática (do baixo rio Volga ao sul dos Montes Urais),
Oaiana, Sogdiana (Usbequistão), Arábia, Azânia (zona da África, do sul da
Somália, passando por Moçambique, até a África do Sul) e Germânia (Apotelesmática I, 1).
Se
observarmos com atenção as regências geográficas antigas, concluímos que estão
quase todas associadas a conflitos político-militares e a lugares de crise
humanitária. Novamente o eixo de criação Aquário-Leão encontra a sua expressão.
Já quanto à influência temporal podemos estabelecer, com base na duração do
eclipse tanto umbral como penumbral, mas também pela declinação dos luminares,
uma influência directa mais forte de dez meses a dois anos e dois meses e meio.
Porém, existe uma influência indirecta, expressa sobretudo através dos seus
efeitos, que se estender até aos treze anos, ou seja, os acontecimentos do
período mais restrito vão ter consequências a longo prazo.
O eclipse solar parcial de 17 de
Fevereiro pertence à série Saros 121, sendo o 61º eclipse de um total de 71. É
uma série de maior maturidade que já se encontra na fase posterior à dos
eclipses totais. O período dos eclipses totais, entre 1070 e 1809, é relevante,
pois estende-se do fim da Alta Idade Média até período das revoluções. Como
sabemos, o eclipse inicial é a matriz de sentido para toda a série. Ora o
primeiro eclipse desta série ocorreu a 25 de Abril de 944. O Sol, a Lua e
Mercúrio estavam em Touro. O Dragão da Lua estendia-se no eixo Carneiro-Balança.
Vénus estava em Gémeos, Marte em Sagitário e Júpiter em Carneiro e Saturno em
Caranguejo. Nos transaturninos, Úrano estava em Gémeos, Neptuno em Leão e
Plutão em Caranguejo. Nesta data e na hora de Lisboa, Leão marcava a hora e Carneiro
culminava. A série Saros 121 terminará a 7 de Junho de 2206, com um eclipse no
signo de Gémeos, o signo que agora marca a hora para o tema de Lisboa. Na
análise comparada entre tema do eclipse matriz e o do actual, encontramos uma
progressão significativa dos eixos de ascensão e culminação. De uma outra
forma, possui também um sentido profundo o facto de Júpiter se encontrar em
Carneiro, onde agora se encontra Saturno, e Saturno se encontrar em Caranguejo,
onde agora se encontra Júpiter. As dinâmicas estruturantes espaço e tempo
assumem esta dicotomia entre o signo da unidade (Carneiro) e o signo da origem
(Caranguejo), ou seja, uma relação entre os eixos de identidade e de tempo.
O ano de 944
foi marcado por algumas transformações políticas, religiosas e militares que
definiram a Alta Idade Média. No mundo islâmico, os hamadânidas (dinastia fundada por oficiais
abássidas) reforçaram o seu poder quando Sayf
al‑Dawla conquistou a cidade de Edessa, até então sob influência bizantina,
consolidando, desta forma, a presença da dinastia no norte da Síria e da antiga
Mesopotâmia. Simultaneamente, o califado abássida atravessava um período de
grande fragilidade: os buídas ampliavam a sua influência no Iraque e
aproximavam‑se de assumir o controlo efectivo de Bagdad, reduzindo o califa a
uma figura sobretudo simbólica. No Império Bizantino, o imperador Constantino
VII Porfirogénito consolidou o seu poder ao afastar os filhos de Romano I
Lecapeno, com quem ainda partilhava o trono. Constantinopla recebeu, nesse ano,
uma das relíquias mais veneradas do cristianismo oriental, o Mandylion de
Edessa cuja posse reforçou o prestígio religioso da capital imperial.
Na Europa ocidental, o Reino de
Inglaterra era governado por Edmundo I que continuava o esforço de unificação e
defesa iniciado por Athelstan, enfrentando tensões com grupos de vikings e com
reinos vizinhos. A Leste, a Rus de Kiev vivia um período de instabilidade sob o
príncipe Igor cuja autoridade era contestada. A tensão crescente culminaria no
ano seguinte com a sua morte às mãos dos drevlianos. Na Europa Central, os
magiares prosseguiam as suas incursões e expandiam a sua influência, moldando o
equilíbrio de forças na região. É interessante observarmos como muitas destas
regiões continuam hoje a ser focos de atenção e de tensão.
A conjunção ou co-presença da
sizígia umbral a Marte e a Plutão, e tendo já se observado a relação com o
sentido de morte, percebemos como a destruição paira sobre a humanidade,
lançando com cada vez maior frequência os raios de alerta. Marte e Plutão, os
regentes de Escorpião, lançam assim os seus raios que se conjugam com os dos
luminares, agora sob o peso da sombra. A humanidade está a ser avisada, os
gritos de alerta ecoam pelo mundo, mas a sombra impede a visão. Tudo está à
vista de todos e continua sem ser visto. Este aspecto astrológico relaciona-se
com outro, também facilmente observável: a conjunção quase exacta da Vénus
exaltada em Peixes à Caput Draconis,
ambas co-presentes a Mercúrio exilado. A potência agregadora do amor universal
encontra a sombra da necessidade e a sua palavra de consenso jaz inaudível. O
caso de Francesca Albanese é o melhor exemplo, dizendo-nos “Não matem o
mensageiro”. Com uma enorme coragem, ela denuncia o genocídio que todos ignoram
e por isso tem sido perseguida. De facto, estamos num tempo em que temos de
repensar o humano se queremos ser uma verdadeira humanidade. O humanismo está
perder-se na história. A agressão de Marte tem contaminado o amor como
derradeira finalidade e só o amor nos pode salvar. Essa é a verdade.
No entanto, o trígono de Vénus,
Mercúrio e da Caput Draconis em
Peixes a Júpiter em Caranguejo surge como redescobrimento da pérola do Eterno
Feminino. É como se a concha de onde nasceu Afrodite se reabrisse para uma nova
era. O regresso da deusa renegada aparece no horizonte como possibilidade.
Porém, vivemos o tempo em que o ódio para com o feminino e para com as mulheres
está vez mais presente. O direito de ser mulher continua a ser fortemente
ameaçado por uma sociedade patriarcal e uma mentalidade machista. O sextil
destes a Úrano em Touro, a par da quadratura deste à sizígia umbral e a Marte e
Plutão em Aquário, revela, por um lado, a liberdade que existe na defesa do
feminino e da Mãe-Terra, ou seja, existe a possibilidade de escolha, o humano
pode seguir a revolução do Eterno Feminino, a revelação do seu retorno, ou
seguindo essa tensão quadrangular, consolidar a destruição do espírito do
humano, da nobreza da alma, impedindo a criação de uma verdadeira humanidade.
No tema do eclipse, e tendo em conta
o facto dos ingressos ou reingressos terem acontecidos pouco tempo antes desta
efeméride, é impossível não destacar a importância da presença de Saturno e
Neptuno no signo de Carneiro. Contrariando a tendência astrológica
contemporânea de dizer sempre “Agora é que é” quando um planeta ingressa num
signo de Ar e Fogo e que, na verdade, resume de forma subtil um certo
patriarcalismo interpretativo, o período em que estes planetas se encontrarem
em Carneiro não será fácil. Não nos podemos esquecer que deixam um signo onde
existia uma potência benévola maior. Deixam o signo onde os benéficos estão
favorecidos (domicílio de
Júpiter e exaltação de Vénus) e regido por
Neptuno para entrarem na casa de Marte, o lugar onde o Sol arde e queima (exaltação). A tradução desta hostilidade vai-se verificar em
extremismos ideológicos e populistas, basta ver o crescimento da
extrema-direita, mas também em duas outras vertentes, o aumento dos cultos de
personalidade e da misoginia. Por outro lado, vai permitir, sendo o signo da
Práxis, uma renovação conceptual da resistência democrática que se vai
expressar em novas formas de luta. Os ideais e as estruturas terão sobre elas
uma acção renovada. As novas gerações trazem à humanidade uma esperança de cura
e renascimento. Carneiro vai dizer para criar, para renovar, para agir, fazendo
do sonho um lugar no tempo, isto é, um acontecimento. O sextil entre os
luminares e estes planetas é um sinal claro dessa liberdade de acção.
Este é, todavia, um eclipse de grande tensão e mensageiro de destruição. As quadraturas entre Marte e Plutão, juntamente com a sizígia umbral, em Aquário a Úrano em Touro e a quadratura de Júpiter em Caranguejo a Saturno e Neptuno em Carneiro são um marco desse potencial nefasto. A astrologia não revela só flores e incenso é preciso ser claro e dizer que nem tudo é bom e que sim existem acontecimentos nefastos e que o humano encerra em si uma potência de destruição. O sextil entre os planetas no lugar do eclipse e Saturno e Neptuno em Carneiro vai acentuar essa realidade como potência de destruição e não como efectivação da destruição, ou seja, seguindo a inspiração estóica, nós não determinamos os acontecimentos, mas definimos o carácter. O mal é uma escolha. Toda a quadratura entre Júpiter e Saturno pede, ou melhor dizendo obriga, a uma restruturação da realidade e a uma nova aplicação das ideias-matriz, dos valores essenciais.
O eclipse solar de dia 17, no signo de Aquário, surgindo no céu como um anel de fogo, vai colocar sobre o humano e sobre a humanidade o peso da sombra. A Providência traz assim à realidade a gravidade do retorno. Ser-nos-á portanto impossível ignorar a causalidade como consequência das nossas acções. Neste eclipse, e partir dele, a humanidade será progressivamente chamada à realidade, tendo assim de se repensar, de se recriar. A destruição levará necessariamente à criação.
domingo, 1 de fevereiro de 2026
Calendário Astrológico 2026: Fevereiro
sábado, 31 de janeiro de 2026
Brevemente: O Resto Permanece Humano - Livro V
Sairá, em breve, o meu 22º livro, 0 Resto Permanece Humano: Livro V. Nesta obra, estão reunidos 101 poemas, em 2025, entre Fevereiro e Novembro . Este livro é diferente de todos os outros, pois resume-se a uma única temática: o amor. E todos os poemas são dedicados a uma única pessoa, o que torna este livro especial. É naturalmente uma declaração de amor, de um profundo amor incondicional, mas é muito mais do que uma declaração de amor é uma forma de mostrar a importância desta mulher e de libertar da lei do tempo este amor. De todos os livros editados, este é o livro de eleição.
Saiba mais acerca deste e de outros livros em https://rodolfomfigueiredo.wixsite.com/livros
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