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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Reflexões Astrológicas 2026: Eclipse Solar Anular (Lua Nova em Aquário)

 Reflexões Astrológicas

Eclipses 


Eclipse Solar Anular

(Lua Nova em Aquário)

Lisboa, 12h 11min, 17/02/2026

 

Sol-Lua

Decanato: Lua  

Termos: Saturno   

Monomoiria: Saturno    

                                           

 

   O Eclipse Solar Anular de 17 de Fevereiro ocorre no signo de Aquário, com Gémeos a marcar a hora (hora de Lisboa), no Segmento de Luz (αἵρεσις) do Sol, com os luminares acima do horizonte, na IX, no lugar de Deus, do deus Sol, mas junto do Ponto de Culminação (MC), e cerca de cinco horas após o pôr-do-sol, no decanato da Lua, nos termos e na monomoiria do Saturno, e a escassos minutos do grau anarético. Destaca-se pois, na leitura imediata de tema, o facto de Marte ser o astro mais alto, em conjunção ao Ponto de Culminação, num caminho ascendente que se inicia com Úrano em Touro, num lugar de pós-ascensão. Esta relação quadrangular torna-se assim significativa, revelando nomeadamente a ruptura entre a humanidade (Aquário) e a Mãe-Terra (Touro). A negação das alterações climáticas em oposição aos fenómenos naturais extremos revela esta dicotomia. O peso da morte (Plutão em Aquário) paira, desta forma, sobre a humanidade. 

   Este é o primeiro eclipse no eixo Aquário-Leão, ou seja, avançamos no ciclo nodal do eixo de integração Peixes-Virgem para o eixo de criação Aquário-Leão. No entanto, existe um sentido profundo que conserva a sua continuidade. A ponte entre singularidade e pluralidade é mantida em ambos os eixos, estando os dois naturalmente sobre o peso do manto umbral. No eixo Peixes-Virgem, estabelecia-se, para lá da sombra, um elemento de passagem entre o todo e a parte, já no eixo Aquário-Leão, o elemento funda-se na viagem entre a humanidade e o humano. Convém, todavia, salientar-se que o humano de Leão é, na verdade, o divino, o sol radiante. Em Leão, se o herói sacrificar o ego, a nobreza da alma reconhecerá o divino em si mesmo. Esta é uma ideia que encontramos, por exemplo, em Rumi, em Meister Eckart ou no Evangelho de Tomé. O divino não está em igrejas, mesquitas, sinagogas ou em qualquer templo de pedra está no interior de cada um. É a luz que brilha quando tudo é escuridão. É, desta forma, o reconhecimento do divino em nós que nos torna humanos e que nos permite, num elemento agregador de passagem, a criação de uma verdadeira humanidade. Este é o eixo de criação Leão-Aquário.

   No actual ciclo nodal, a sombra impõe-se agora sobre o signo de Aquário e o corpo do Dragão da Lua coloca a sua cabeça nesta constelação e a cauda na oposta, em Leão. Ora este posicionamento firma assim a sombra sobre o sentido de humano e de humanidade. Deste modo, o Dragão da Lua vai dar gravidade à Necessidade (Caput) sobre a humanidade e ao Destino (Cauda) sobre o humano. A Providência estabelece consequentemente os seus ditames ao querer refundar o sentido de humanidade no humano. Numa visão astro-mitológica, o eixo Aquário-Leão vai simbolizar a relação homoerótica entre Ganimedes e Zeus (Júpiter), algo particularmente significativo com o ingresso de Júpiter em Leão no final de Junho.

   Já tínhamos considerado a matriz etimológica do nome Ganimedes (Figueiredo, R. M., 2024, Reflexões Astrológicas 2023: Parte I, 20. Lisboa: Livros – Rodolfo Miguel de Figueiredo). Ora o nome próprio tem a sua raiz na forma verbal γάνυμαι que designa o “alegrar-se” ou o “irradiar alegria”, mas também no substantivo μήδων, ou seja, os “genitais”. Sob a forma de águia, Zeus rapta Ganimedes e leva-o para o Olimpo, tornando-o o copeiro dos deuses, aquele que verte o néctar (ou o sémen). Platão, na célebre passagem que compara a alma a um carro puxado por cavalos que exercem forças contrárias e cujo auriga terá de dominar, diz-nos o seguinte acerca do amor e do desejo, considerando o caso de Ganimedes e Zeus: Precisamente por isso, o jovem amado é servido com toda a solicitude, como um deus, não por quem finge amar, mas por quem experimenta verdadeiramente esse sentimento; ele mesmo torna-se naturalmente amigo de quem o serve. Mesmo que, no passado, tenha sido dissuadido pelos companheiros ou por torna-se naturalmente amigo de quem o serve. Mesmo que, outros quaisquer, ao dizerem-lhe que é vergonhoso aproximar- -se de quem ama, induzindo-o a repelir por isso o amoroso, com o avançar do tempo, no entanto, a juventude e a necessidade levam-no a admiti-lo na sua intimidade. Não quis o destino que o malvado fosse amigo do malvado nem que o corajoso não fosse do corajoso. Logo que o amado admite e aceita escutar a sua conversa e viver na sua companhia, a benevolência do amante, olhada de perto, causa-lhe perturbação, ao aperceber-se de que todos os outros, amigos e familiares, não oferecem qualquer parcela de amizade em confronto com o amigo que é presa da possessão de um deus. Quando persevera falei nessa conduta e se avizinha dele para o tocar nos ginásios e em outros locais de reunião, então o manancial da corrente de que e a que Zeus, enamorado de Ganimedes, deu o nome de desejo, canalizada em abundância para o amante, penetra dentro dele uma parte, e a outra, uma vez repleto, transborda para o exterior. E, qual vento ou um eco que, ressaltando nas superfícies lisas e sólidas, regressa ao ponto donde partiu, assim o fluxo vindo da beleza regressa de novo ao jovem belo através dos olhos que são a entrada natural da alma.(Platão, Fedro 255a-c, trad. J. Ribeiro Ferreira. Lisboa Edições 70, 1997).

   Primeiramente, e contrariando um pouco Platão, este caminho amoroso de descrição homoerótica é idêntico ao amor heterossexual. Lembremo-nos, por exemplo, da poesia trovadoresca e da deificação da amada nas cantigas de amigo e de amor. Já do ponto de vista astrológico dir-se-ia que este processo pertence a Vénus, ou na astrologia esotérica poderia pertencer também a Neptuno, como uma expressão de Vénus numa oitava acima, todavia na ponte do Sol a Saturno, ou vice-versa, no caminho Leão-Aquário, vamos encontrar também a dinâmica do amor. A razão é tão simples quanto a formulação: é o amor que faz o humano e é o amor que constrói a humanidade. Se considerarmos a ordem vernal depois de Aquário, o signo da humanidade, vem Peixes, o signo da totalidade e o lugar de exaltação de Vénus, logo o amor como potência do eixo de criação revela de facto o seu sentido profundo.

   Esta associação astro-mitológica entre o mito de Zeus e Ganimedes e o eixo Leão-Aquário encontra-se também numa descrição de Quinto de Esmirna, em A Queda de Tróia (8.427 e ss.), quando nos diz que, ao ver a sua cidade em chamas e seus compatriotas a serem chacinados, Ganimedes exorta amorosamente a Zeus pela sua clemência e pela sua intervenção. Ora Zeus acende às súplicas do amado e lança uma tempestade de trovões e relâmpagos que extingue o fogo e faz dispersar os exércitos gregos, obrigando-os a regressar à sua terra-natal. Ganimedes incorpora neste mito o sentido de humanidade e consequentemente o signo de Aquário, tal como Zeus (Júpiter) que, ao fazer essa passagem entre o divino e o humano, transmite o sentido profundo do signo de Leão, ou seja, a nobreza da alma. Este é um aspecto que se torna particularmente interessante se pensarmos que Zeus evitou sempre intervir no conflito da guerra da Tróia. Foi o amor que condicionou agora essa intervenção, o que lhe concede um carácter particularmente distinto.

   Com um eclipse solar neste eixo, a sombra, a ocultação da luz, vai incidir sobre este binómio humano-humanidade. Ora não é difícil de perceber esta significação, pois estamos a viver, com o avanço do populismo e da extrema-direita, um processo desumanização e de remissão do valor de humanidade. O exemplo mais assustador neste processo é o de Gaza. A forma passiva como os líderes mundiais e muita gente assiste, em directo, a um genocídio é um exemplo claro desse processo. A desmedida do ódio pelo outro, pelo estrangeiro, por aquele é que diferente, seja por que razão for, é a demonstração da falência da humanidade. Se pensarmos que o eixo Leão-Aquário está muito associado à luz, sendo Leão o domicílio do Sol e Aquário o de Saturno, tendo sido este designado pelos babilónicos como o Sol da Noite (cf. van der Sluijs, M. A. & P. James, 2013, “Saturn as the Sun of Night in Ancient Near Eastern Tradition” in Aula Orientalis 31.2, 279-321), substituindo o luminar na sua ocultação nocturna, o peso da sombra torna-se então mais expressivo.      

   Na relação entre a luz e a sombra, e agora com eclipse solar no signo de Aquário, tem de se considerar a morte como elemento essencial de sentido, por duas razões: a posição de Aquário no Thema Mundi e o facto de Plutão se encontrar em Aquário. Como já observarmos, por diversas vezes, o Thema Mundi possui uma enorme riqueza significativa, infelizmente subjugada à hegemonia da ordem vernal. Ora, no Thema Mundi, Aquário ocupa o oitavo lugar, o lugar da Morte, ou da qualidade da morte como alguns referem. Este posicionamento não é inocente. Os antigos astrólogos colocaram os luminares nas duas primeiras casas, ou seja, com Caranguejo a marcar a hora, a Lua na I e, com Leão, o Sol na II, deste modo, os dois signos cujo domicílio é Saturno vão-se encontrar nos signos opostos, respectivamente Capricórnio e Aquário. Sabemos que a razão desta distribuição teria sido inspirados nos templos de Mitra e naturalmente no nascimento e morte da luz solar, confirmando-se assim a designação babilónica de Saturno enquanto Sol da Noite.    

   Na ordem vernal e com as regências modernas, Escorpião ocupa a casa VII, tendo Plutão como seu regente. É assim que se encontra a ligação e a persistência do sentido profundo da morte no actual eclipse. Séneca diz-nos o seguinte acerca da morte: “A morte não tem em si nada de nocivo, porquanto uma coisa, para ser nociva, deve primeiro existir! Se tens assim um tão grande desejo de uma vida mais longa, pensa então que nada daquilo que se escapa aos nossos olhos para mergulhar na natureza (da qual tudo proveio e à qual tudo em breve há-de regressar) se destrói por completo; as coisas cessam, mas não se perdem; a morte - que nos enche de terror, que nós nos recusamos a aceitar - interrompe a vida, mas não lhe põe termo; virá um dia em que novamente veremos a luz, num regresso à vida que muitos recusariam sem o prévio esquecimento da vida passada!” (Ep.35.9-10; Cartas a Lucílio, 2ª ed,, trad. J. A. Segurado e Campos. Lisboa, 2004: Fundação Calouste Gulbenkian). A morte surge assim como uma confirmação da continuidade e da persistência da vida. É a ideia de que a morte é semente, ou seja, uma significação atribuída a Plutão enquanto senhor do que existe sob a terra, o submundo e o lugar da semente.

   O eclipse solar de dia 17 tem o seu centro geográfico, o seu foco de escuridão, ao largo da Antárctida, entre a Davis Station e a Casey Station. Se considerarmos a importância deste continente para preservação do nosso planeta, a localização ganha uma significação importante, e se pensarmos que eclipses solares tendem a assumir um sentido político maior que os eclipses lunares, podemos assumir a relevância política da conservação da Antárctida para a emergência climática. Os governos que continuamente negam esta emergência estão a cometer um crime contra humanidade, aqui também no sentido aquariano. O manto umbral estende-se depois pelo Oceano Índico, passando também pelo continente africano, pela África do Sul, Botsuana, Moçambique, Zimbabué, Malawi, Zâmbia, Tanzânia, e mais ligeiramente pela Austrália, pela Índia pelo Sri Lanka.  

   Nas regências geográficas antigas, Vétio Valente (Antologia I, 2) diz-nos que Aquário rege sobretudo o Egipto, a Síria, a área entre o Eufrates e o Tigre (Médio Oriente), a Líbia, a região do vale do Indo (entre o Paquistão e a Índia, Tanais (nas imediações da actual Rostov-on-Don, Rússia, perto da fronteira com a Ucrânia e a Geórgia), e dos rios Eufrates e Tigre, desde os Hiperbóreas, para norte e oeste (países de leste e Escandinávia). Já Manílio designa que Aquário rege as áreas do Egipto à Fenícia, e a própria cidade de Tiro (Líbano), a Cilícia (Anatólia, Turquia) e as planícies que fazem fronteira com a Cária (Turquia), ou seja, a Lídia e Panfília (ambas na actual Turquia) (Astronomica IV, 797-9). Heféstion vai sintetizar com parte das mesmas áreas de Vétio Valente e que estão de acordo com a Sphaerica, acrescentando as referidas por Ptolemeu, ou seja, a Sauromática (do baixo rio Volga ao sul dos Montes Urais), Oaiana, Sogdiana (Usbequistão), Arábia, Azânia (zona da África, do sul da Somália, passando por Moçambique, até a África do Sul) e Germânia (Apotelesmática I, 1).

   Se observarmos com atenção as regências geográficas antigas, concluímos que estão quase todas associadas a conflitos político-militares e a lugares de crise humanitária. Novamente o eixo de criação Aquário-Leão encontra a sua expressão. Já quanto à influência temporal podemos estabelecer, com base na duração do eclipse tanto umbral como penumbral, mas também pela declinação dos luminares, uma influência directa mais forte de dez meses a dois anos e dois meses e meio. Porém, existe uma influência indirecta, expressa sobretudo através dos seus efeitos, que se estender até aos treze anos, ou seja, os acontecimentos do período mais restrito vão ter consequências a longo prazo.

   O eclipse solar parcial de 17 de Fevereiro pertence à série Saros 121, sendo o 61º eclipse de um total de 71. É uma série de maior maturidade que já se encontra na fase posterior à dos eclipses totais. O período dos eclipses totais, entre 1070 e 1809, é relevante, pois estende-se do fim da Alta Idade Média até período das revoluções. Como sabemos, o eclipse inicial é a matriz de sentido para toda a série. Ora o primeiro eclipse desta série ocorreu a 25 de Abril de 944. O Sol, a Lua e Mercúrio estavam em Touro. O Dragão da Lua estendia-se no eixo Carneiro-Balança. Vénus estava em Gémeos, Marte em Sagitário e Júpiter em Carneiro e Saturno em Caranguejo. Nos transaturninos, Úrano estava em Gémeos, Neptuno em Leão e Plutão em Caranguejo. Nesta data e na hora de Lisboa, Leão marcava a hora e Carneiro culminava. A série Saros 121 terminará a 7 de Junho de 2206, com um eclipse no signo de Gémeos, o signo que agora marca a hora para o tema de Lisboa. Na análise comparada entre tema do eclipse matriz e o do actual, encontramos uma progressão significativa dos eixos de ascensão e culminação. De uma outra forma, possui também um sentido profundo o facto de Júpiter se encontrar em Carneiro, onde agora se encontra Saturno, e Saturno se encontrar em Caranguejo, onde agora se encontra Júpiter. As dinâmicas estruturantes espaço e tempo assumem esta dicotomia entre o signo da unidade (Carneiro) e o signo da origem (Caranguejo), ou seja, uma relação entre os eixos de identidade e de tempo.

   O ano de 944 foi marcado por algumas transformações políticas, religiosas e militares que definiram a Alta Idade Média. No mundo islâmico, os hamadânidas (dinastia fundada por oficiais abássidas) reforçaram o seu poder quando Sayf al‑Dawla conquistou a cidade de Edessa, até então sob influência bizantina, consolidando, desta forma, a presença da dinastia no norte da Síria e da antiga Mesopotâmia. Simultaneamente, o califado abássida atravessava um período de grande fragilidade: os buídas ampliavam a sua influência no Iraque e aproximavam‑se de assumir o controlo efectivo de Bagdad, reduzindo o califa a uma figura sobretudo simbólica. No Império Bizantino, o imperador Constantino VII Porfirogénito consolidou o seu poder ao afastar os filhos de Romano I Lecapeno, com quem ainda partilhava o trono. Constantinopla recebeu, nesse ano, uma das relíquias mais veneradas do cristianismo oriental, o Mandylion de Edessa cuja posse reforçou o prestígio religioso da capital imperial.

   Na Europa ocidental, o Reino de Inglaterra era governado por Edmundo I que continuava o esforço de unificação e defesa iniciado por Athelstan, enfrentando tensões com grupos de vikings e com reinos vizinhos. A Leste, a Rus de Kiev vivia um período de instabilidade sob o príncipe Igor cuja autoridade era contestada. A tensão crescente culminaria no ano seguinte com a sua morte às mãos dos drevlianos. Na Europa Central, os magiares prosseguiam as suas incursões e expandiam a sua influência, moldando o equilíbrio de forças na região. É interessante observarmos como muitas destas regiões continuam hoje a ser focos de atenção e de tensão.

   A conjunção ou co-presença da sizígia umbral a Marte e a Plutão, e tendo já se observado a relação com o sentido de morte, percebemos como a destruição paira sobre a humanidade, lançando com cada vez maior frequência os raios de alerta. Marte e Plutão, os regentes de Escorpião, lançam assim os seus raios que se conjugam com os dos luminares, agora sob o peso da sombra. A humanidade está a ser avisada, os gritos de alerta ecoam pelo mundo, mas a sombra impede a visão. Tudo está à vista de todos e continua sem ser visto. Este aspecto astrológico relaciona-se com outro, também facilmente observável: a conjunção quase exacta da Vénus exaltada em Peixes à Caput Draconis, ambas co-presentes a Mercúrio exilado. A potência agregadora do amor universal encontra a sombra da necessidade e a sua palavra de consenso jaz inaudível. O caso de Francesca Albanese é o melhor exemplo, dizendo-nos “Não matem o mensageiro”. Com uma enorme coragem, ela denuncia o genocídio que todos ignoram e por isso tem sido perseguida. De facto, estamos num tempo em que temos de repensar o humano se queremos ser uma verdadeira humanidade. O humanismo está perder-se na história. A agressão de Marte tem contaminado o amor como derradeira finalidade e só o amor nos pode salvar. Essa é a verdade.      

   No entanto, o trígono de Vénus, Mercúrio e da Caput Draconis em Peixes a Júpiter em Caranguejo surge como redescobrimento da pérola do Eterno Feminino. É como se a concha de onde nasceu Afrodite se reabrisse para uma nova era. O regresso da deusa renegada aparece no horizonte como possibilidade. Porém, vivemos o tempo em que o ódio para com o feminino e para com as mulheres está vez mais presente. O direito de ser mulher continua a ser fortemente ameaçado por uma sociedade patriarcal e uma mentalidade machista. O sextil destes a Úrano em Touro, a par da quadratura deste à sizígia umbral e a Marte e Plutão em Aquário, revela, por um lado, a liberdade que existe na defesa do feminino e da Mãe-Terra, ou seja, existe a possibilidade de escolha, o humano pode seguir a revolução do Eterno Feminino, a revelação do seu retorno, ou seguindo essa tensão quadrangular, consolidar a destruição do espírito do humano, da nobreza da alma, impedindo a criação de uma verdadeira humanidade.

   No tema do eclipse, e tendo em conta o facto dos ingressos ou reingressos terem acontecidos pouco tempo antes desta efeméride, é impossível não destacar a importância da presença de Saturno e Neptuno no signo de Carneiro. Contrariando a tendência astrológica contemporânea de dizer sempre “Agora é que é” quando um planeta ingressa num signo de Ar e Fogo e que, na verdade, resume de forma subtil um certo patriarcalismo interpretativo, o período em que estes planetas se encontrarem em Carneiro não será fácil. Não nos podemos esquecer que deixam um signo onde existia uma potência benévola maior. Deixam o signo onde os benéficos estão favorecidos (domicílio de Júpiter e exaltação de Vénus) e regido por Neptuno para entrarem na casa de Marte, o lugar onde o Sol arde e queima (exaltação). A tradução desta hostilidade vai-se verificar em extremismos ideológicos e populistas, basta ver o crescimento da extrema-direita, mas também em duas outras vertentes, o aumento dos cultos de personalidade e da misoginia. Por outro lado, vai permitir, sendo o signo da Práxis, uma renovação conceptual da resistência democrática que se vai expressar em novas formas de luta. Os ideais e as estruturas terão sobre elas uma acção renovada. As novas gerações trazem à humanidade uma esperança de cura e renascimento. Carneiro vai dizer para criar, para renovar, para agir, fazendo do sonho um lugar no tempo, isto é, um acontecimento. O sextil entre os luminares e estes planetas é um sinal claro dessa liberdade de acção.

   Este é, todavia, um eclipse de grande tensão e mensageiro de destruição. As quadraturas entre Marte e Plutão, juntamente com a sizígia umbral, em Aquário a Úrano em Touro e a quadratura de Júpiter em Caranguejo a Saturno e Neptuno em Carneiro são um marco desse potencial nefasto. A astrologia não revela só flores e incenso é preciso ser claro e dizer que nem tudo é bom e que sim existem acontecimentos nefastos e que o humano encerra em si uma potência de destruição. O sextil entre os planetas no lugar do eclipse e Saturno e Neptuno em Carneiro vai acentuar essa realidade como potência de destruição e não como efectivação da destruição, ou seja, seguindo a inspiração estóica, nós não determinamos os acontecimentos, mas definimos o carácter. O mal é uma escolha. Toda a quadratura entre Júpiter e Saturno pede, ou melhor dizendo obriga, a uma restruturação da realidade e a uma nova aplicação das ideias-matriz, dos valores essenciais.

   O eclipse solar de dia 17, no signo de Aquário, surgindo no céu como um anel de fogo, vai colocar sobre o humano e sobre a humanidade o peso da sombra. A Providência traz assim à realidade a gravidade do retorno. Ser-nos-á portanto impossível ignorar a causalidade como consequência das nossas acções. Neste eclipse, e partir dele, a humanidade será progressivamente chamada à realidade, tendo assim de se repensar, de se recriar. A destruição levará necessariamente à criação.


sábado, 6 de setembro de 2025

Reflexões Astrológicas 2025: Eclipse Lunar Total (Lua Cheia Peixes-Virgem)

 Reflexões Astrológicas

Eclipses 




Eclipse Lunar Total

(Lua Cheia: Virgem-Peixes)   

Lisboa, 19h12min, 07/09/2025

 

Lua

Decanato: Júpiter 

Termos: Júpiter

Monomoiria: Lua       

 

Sol

Decanato: Vénus

Termos: Vénus

Monomoiria: Marte   

 

  O Eclipse Lunar Total de dia 7 de Setembro ocorre com a Lua no signo de Peixes e com o Sol no de Virgem, com Aquário a marcar a hora e a cerca de uma hora e meia do pôr-do-sol (hora de Lisboa), logo no Segmento de Luz (αἵρεσις) do Sol, estando este acima do horizonte, na VIII, no lugar da Morte (θάνατος), já a Lua está abaixo do horizonte, na II, no lugar do Viver (δύσις). A Lua encontra-se pois no decanato e nos termos de Júpiter e na sua monomoiria, enquanto o Sol encontra-se no decanato e nos termos de Vénus e na monomoiria de Marte.

  No caso das dignidades, afirma-se o facto de os luminares serem regidos, tanto no decanato como nos termos, pelo benéfico que rege o segmento de luz contrário, ou seja, Vénus para o Sol e Júpiter para a Lua. Daqui que se depreende um certo reforço benéfico da qualidade dos lugares onde se encontra o eixo umbral. No entanto, convém salientar-se que, devido a troca de regências, essa valoração do bem só ocorre se o feminino integrar o masculino e o masculino, o feminino. Esta inversão de regentes serve pois um sentido profundo.

  Os eixos umbral e nodal encontram-se no eixo de sentido da integração, existindo assim uma união significativa entre a sombra do eclipse e a integração do todo (Peixes) na parte (Virgem), uma vez que a Lua se encontra em Peixes. No δωδεκατόπος (doze lugares), a Lua encontra-se no lugar do Viver, βίος (II). Paulo de Alexandria designa este lugar de Porta do Hades, ιδου πύλη (Introdução, cap. 24), devido à sua posição junto ao Ascendente e abaixo do horizonte. Encontramos o valor do modo de vida e da morte neste eixo (II-VIII), pois como diria Trasilo, a II é um “indicador de esperanças”, ἐλπίδων σημαντικήν (CCAG VIII/3: 101.20), já a VIII é nas palavras de Paulo de Alexandria indicadora da “realização da morte”, θανάτου τελευτήν (Introdução, cap. 24). Consequentemente, os sentidos cruzados de todos estes eixos ganham uma unidade significativa.

  É necessário também considerar-se a ponte de sentido no eixo Peixes-Virgem que se estabelece entre o actual eclipse lunar e o eclipse solar de dia 21 de Setembro. Em certa medida, neste ano de 2025, o sentido já havia sido iniciado pelo eclipse lunar de 14 de Março, todavia, é neste período de 7 a 21 de Setembro que a proposta significativa da sombra sobre o eixo de integração se torna mais intensa. Com a sombra a cair sobre a totalidade ou sobre a integração do sentido de totalidade (Lua em Peixes no eclipse lunar), quando o manto umbral cobrir os luminares, a parte poderá sentir uma maior dificuldade de integração tanto da sua própria natureza e condição como do seu lugar no todo. Desta forma, e à semelhança do que se afirmara aquando do eclipse lunar de 14 de Março, o obscurecimento dracôntico recai sobre o sentido da parte e o valor da totalidade. No entanto, no actual eclipse, é o valor da totalidade que se encontra sob uma maior tensão umbral.   

  A integração da totalidade obriga a uma consciência do todo, daquilo que engloba a alma humana na Alma do Mundo. Ora para que isso aconteça o indivíduo deverá primeiramente reconhecer a liberdade da sua própria alma face a tudo aquilo que não lhe diz respeito. Epicteto diz-nos o seguinte: “Ao vires alguém preferido em honras, ou muito poderoso, ou mais estimado, presta atenção para que jamais creias – arrebatado pela representação – que ele seja feliz. Pois se a essência do bem está nas coisas que são encargos nossos, não haverá espaço nem para a inveja, nem para o ciúme. Tu mesmo não irás querer ser nem general, nem prítane ou cônsul, mas homem livre. E o único caminho para isso é desprezar o que não é encargo nosso.(Encheiridion 19b, trad. A. Dinucci & A. Julien, 2014: 46-7. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra). A sombra na totalidade pisciana é um alerta para a dificuldade de ver esta liberdade e de encontrar a felicidade apenas naquilo que é encargo nosso. Sê feliz porque amas e grato porque és amado. Existe aqui uma diferença substancial entre o amor que damos que depende de nós, e que por isso resulta em felicidade, do amor recebido que depende do outro, e logo deverá gerar gratidão.

  A integração da parte no todo e do todo na parte está, como podemos observar nesta máxima de Epicteto, intimamente relacionada com a liberdade que é fixarmos a nossa existência apenas naquilo nos compete, mas com um outro aspecto enunciado por Séneca. O filósofo diz-nos o seguinte: “Frequentemente dá-se o caso de um exército temer o inimigo sem motivo e de o itinerário que lhe parecera mais perigoso ser afinal o mais seguro. A ignorância, essa, está sempre em sobressalto; os perigos assaltam-na quer de cima quer de baixo; à direita e à esquerda há razões de pânico; os perigos quer a atacam pelas costas quer se lhe levantam na frente; qualquer situação a enche de medo, a encontra impreparada, a tal ponto que o próprio socorro a apavora! O sábio, porém, sempre alerta, sempre pronto a responder a qualquer assalto, não recuará um passo mesmo que sobre ele caiam a pobreza, a desgraça, a ignomínia ou a dor; impertérrito, o sábio afrontará estes males, passará pelo meio deles.” (Ep.59.8; Cartas a Lucílio, 2ª ed,, trad. J. A. Segurado e Campos. Lisboa, 2004: Fundação Calouste Gulbenkian).

  O comportamento do sábio, oposto ao daquele que se move por ignorância, é essencialmente uma integração da parte no todo e uma consciência da totalidade. Ao observarmos a acção do sábio, vemos que este cruza uma visão holística com o olhar da montanha, daí que não se deixe perturbar. A premeditação do mal serve o sábio que, contemplando o mal possível, se preparara para todas as suas vicissitudes. Ora, num eclipse como o actual, as duas propostas, a de Epicteto e de Séneca, estão ameaçadas. A sombra invade o carácter humano e impede esta integração. A parte segue a parte em vez de entrar no mar da totalidade.

  O derradeiro ingresso de Saturno em Peixes que só daqui a quase três décadas voltará a este signo veio adensar o peso da necessidade sobre o manto umbral. As estruturas conservadoras, por um lado, e a dificuldade de integração dos valores piscianos, por outro lado, confirmam o peso de um mundo em decadência. Assistimos no conforto dos lares dos países mais desenvolvidos a um genocídio, no qual a fome se tornou arma de guerra, levado a cabo por um estado intocável. A alegada dívida histórica está a ser cobrada com a vida de inocentes, sobretudo crianças, e nós permitimos. É a total anulação do humanismo e dos valores essenciais e primitivos do cristianismo. O actual eclipse que, para o tema de Lisboa, faz justamente a Lua cair no lugar do Viver (II), do valor da vida, e devia servir de alerta, neste caso aos portugueses, para a cumplicidade desumana da sua inacção.           

  A influência geográfica do eclipse de dia 7 tem o seu centro no Oceano Índico, ao largo do Sri Lanka e à entrada da Baía de Bengala. O manto umbral e penumbral alastrar-se-á pela Ásia, pela África, pela Europa e pela Austrália. Segundo as regências geográficas antigas, Vétio Valente (Antologia I, 2) diz-nos que Peixes exerce influência sobre o Eufrates e o Tigre, a Síria, o Mar Vermelho e o Mar Arábico, a Índia, a Média-Pérsia e as regiões circundantes, o rio Borístenes ou Boristene (Dniepre), a Trácia, a Ásia e a Sardenha. Manílio, por seu lado, concede a Peixes o Eufrates, o Tigre e o Mar Vermelho, as terras da Pártia, a Báctria, a Etiópia, a Babilónia, Susa e Nínive (Astronomica IV, 800-6). Já Virgem rege a Mesopotâmia, a Babilónia, a Grécia, a Acaia (Grécia), Creta, Cíclades (Grécia), Peloponeso, Arcádia, Cirene (Líbia), Dória (Grécia), Sicília e Pérsia ou Parsa (Irão). Manílio, por seu lado, afirma que a Jónia (Turquia), a Cária (Turquia), Rodes e a Grécia estão sob a sua influência (Astronomica IV, 763-8).

  A influência temporal será, devido à duração do período total, de cerca de um mês e meio. No entanto, dada à duração do período umbral, poderá estender-se até cerca de três meses e meio e de uma forma já ténue, sustentada no período penumbral, poderia ir até ao limite de cinco meses e meio, o que estaria em concordância com o cálculo baseado nas declinações dos luminares. Devemos numa análise da influência temporal voltar a reforçar que, no período até ao eclipse solar de dia 21 de Setembro, o sentido profundo deste eclipse terá uma maior intensidade que progressivamente irá diminuindo.

  É necessário frisar, uma vez mais, a ligação que existe entre os eclipses lunares e as dinâmicas do planeta Terra, nomeadamente o que designamos por desastres naturais. Dada a natureza deste eclipse, podemos observar, por exemplo, como o tufão Kajiki no Vietname foi um prenúncio da sua sombra. Os sismos e tempestades com origem no mar estão potenciadas, podendo originar tsunamis e tufões. A lua em Peixes, com a regência moderna de Neptuno, agora em Carneiro com uma força mais destrutiva, e com o Júpiter, regente antigo ou tradicional, em Caranguejo, outro signo de água e com o qual forma um trígono, potencia estes fenómenos. A co-presença da Lua e Saturno também firma uma vibração mais tensa. Lembremo-nos que Cronos/Saturno foi preso no lugar mais profundo do submundo, após ter sido derrotado por Zeus/Júpiter. No Tártaro, lutava contra as correntes que os sustinham, ou seja, fazia vibrar as profundezas da Terra.   

  O eclipse lunar total de 7 de Setembro pertence à série Saros 128, sendo o 41º eclipse de um total de 71. É o 11º eclipse dos 15 eclipses totais da série, o que transmite um certo desenvolvimento da sua proposta significativa. O eclipse inicial, como sabemos, serve de matriz de sentido para toda a série. Ora o primeiro eclipse desta série ocorreu a 18 de Junho de 1304 (Calendário Juliano). A Lua estava em Capricórnio e o Sol em Caranguejo e o Dragão da Lua estendia-se no eixo Sagitário-Gémeos. Mercúrio e Marte estavam em Gémeos, Vénus em Touro, Júpiter em Leão e Saturno em Balança. Nos transaturninos, Úrano estava em Balança, Neptuno em Escorpião e Plutão em Aquário. Nesta data e na hora de Lisboa, Virgem marcava a hora e Touro culminava. A série Saros 128 terminará a 2 de Agosto de 2566, com um eclipse no eixo Leão-Aquário, ou seja, com a Lua em Carneiro e o Sol em Balança.

  A análise comparada dos dois temas, face ao seu ciclo planetário, faria logo sobressair o facto de Plutão se encontrar em Aquário no eclipse-matriz tal como hoje se encontra. Naturalmente, isto adensa esta ligação entre o signo da humanidade e o planeta da morte. Em tempos sombrios como os que vivemos, resgatar a semente da morte, o memento mori, da consciência do humano recupera esse sentido primário e matricial que encontramos em toda a série Saros. Por outro lado, temos Neptuno em Escorpião e agora em Carneiro, os dois domicílios de Marte recebem o planeta da imaginação. A força de Marte tende, por um lado, a intensificar a imaginação criativa, se for recebida como dom, ou, por outro lado, pode com uma força bélica e disruptiva trazer uma ilusão massificada. Os populismos e os avanços da extrema-direita traduzem essa realidade. A ideologia vai-se tornar progressivamente violência.

  Úrano e Saturno em Balança, estando este último na sua exaltação, favorecem a criação e estruturação de modelos de pensamento. Algo que será transmitido pelos raios triangulares ao actual Úrano em Gémeos. A comunicação pede um sentido renovado que tanto pode dar origem a novas formas de conhecimento como de desinformação. Do ponto vista histórico, aquando do eclipse-matriz, é de se assinalar o início do conclave papal, após a morte de Bento XI a 7 de Julho de 1304, que só terminará no ano seguinte, a 5 de Junho de 1305, com eleição de Clemente V e que marcará o início de período conhecido como o Papado ou o Cativeiro de Avinhão (1309-1377). É também de assinalar a primeira guerra pela independência da Escócia.

  O eclipse-matriz revela para um eclipse lunar uma forte influência política e militar. De facto, se pensarmos bem o início do século XIV, marca um período de intensas mudanças tanto políticas como filosóficas e espirituais. A conjunção de Mercúrio, Marte e a Cauda Draconis vai assinalar o carácter disruptivo de muitas dessas transformações. As heresias ou heterodoxias cristãs ou o crescimento do poder do Santo Ofício da Inquisição são dois elementos de destaque, bem como as profundas alterações políticas. O sextil Júpiter em Leão a Saturno e Úrano em Balança é também revelador dessas transições. Um eclipse lunar com a Lua exilada em Capricórnio traz consigo uma forte dinâmica saturnina que lhe confere uma influência semelhante à de um eclipse solar e, sendo um eclipse-matriz, essa significação vai estender-se a toda a série.

  Convém, no entanto, salientar-se que, por neste eclipse a Lua estar em Peixes, vamos encontrar um certo sentido de destruturação desse sentido-matriz. A imersão no todo que o Peixes tende a apresentar com candura vai agora tomar outras formas. A sombra vai apresentar rudemente a despersonalização como inevitável e a ilusão da realidade tornará tudo mais confuso. Lembremo-nos que a sombra vai incidir sobre o signo de Virgem que a guardará até ao eclipse solar. Com Sol e Mercúrio exaltado em Virgem, e com a quadratura a Úrano em Gémeos, tudo o que é representado pela razão, pelo pensamento, pela palavra, pela organização das estruturas comunicacionais está sob pressão. A sombra dracôntica quer levar tudo o que está estabelecido até ao grande oceano e mostrar que aquilo que a mente humana produz não chega a ser um grau de areia na totalidade que é a Alma do Mundo e o seu Intelecto.    

  Se de Peixes vem uma totalidade assombrada, Júpiter em Caranguejo com o trígono à Lua, a Saturno e à Caput Draconis e o sextil ao Sol, a Mercúrio e à Cauda Draconis vem contribuir com a expansão do sentido da origem. Na verdade, a totalidade e a origem são duas expressões ou conceitos para a mesma realidade inefável que não cabe em nenhum conceito. Esta é, porém, a via para conhecimento de si. O Eu perde-se na totalidade do oceano da origem e surge renovado como o Si. A dificuldade para o humano é o medo de entrar no oceano e perder-se. Está tão agarrado ao que julga ser importante que não vê que ao perder-se encontra-se. Terá pois de olhar para o fundo do mar e encarar as sombras que se movem na escuridão.    

  Marte em Balança, exilado, ameaça as estruturas relacionais, contudo, o sextil a Vénus em Leão e a quadratura a Júpiter em Caranguejo trazem alguma moderação ou progressividade a disrupção interpessoal. O trígono entre Vénus em Leão e Neptuno em Carneiro contribui também com certa elevação do fogo do amor, se for vivido dessa forma. Vénus em Leão pode elevar o amor na beleza de alma nobre ou pode afundá-la num narcisismo patológico. Algo que pode ser potenciado, para o bem e para o mal, pela oposição a Plutão em Aquário. Os trígonos de Úrano em Gémeos e Plutão em Aquário a Marte em Balança trazem, sob a égide do destino, uma força transformadora à forma que como lemos e pensamos a realidade. Essa força não é, porém, voluntária, pois traz consigo os ditames da providência e necessidade.   

  Se considerarmos a sistema antigo de leitura de aspectos, ou seja, pelos conceitos de aplicação e separação, temos de destacar três deles pela força da aplicação. Primeiramente, o trígono entre Júpiter exaltado em Caranguejo e Saturno em Peixes que traz consigo a dádiva da Água. Depois, a quadratura de Saturno em Peixes a Úrano em Gémeos e o trígono entre Úrano e Plutão em Aquário são, na verdade, duas faces da mesma moeda. O primeiro traz, com alguma tensão, a criação de novas estruturas e a necessidade de romper com certas formas de estar e pensar, já o segundo que se estenderá ao longo de vários anos marcará esse ponte de sentido entre revolução e transformação, entre progresso e morte. Se pensarmos que nestes dois aspectos Úrano está presente, este é o vendaval do Anjo da História.

  O eclipse lunar total de 7 de Setembro encerra assim um sentido intermédio entre o eclipse de lunar de 14 de Março e o eclipse solar de 21 de Setembro. Em 2025, a sombra alongar-se-á no eixo Virgem-Peixes, no eixo de integração da parte no todo, e com um foco particular no signo de Virgem. Não devemos portanto perder esta oportunidade enquanto humanidade de colher as suas lições. Se esquecermos a solidariedade, o melhor do humano, viveremos sempre na escuridão.       

sábado, 24 de maio de 2025

Reflexões Astrológicas 2025: Saturno em Carneiro

 Reflexões Astrológicas

Ingressos



Saturno em Carneiro

Lisboa, 04h36min, 25/05/2025

 

Saturno

Decanato: Marte

Termos: Júpiter

Monomoiria: Marte    

 


   O primeiro ingresso de Saturno em Carneiro ocorre com o próprio Carneiro a marcar a hora (hora de Lisboa) e, deste modo, na I, no Leme (οἴαξ) do tema, no decanato de Marte, nos termos de Júpiter e na monomoiria de Marte. O ingresso dá-se assim acima do horizonte, com Saturno em pós-ascensão, e cerca de uma hora e trinta minutos antes do nascer-do-sol. Saturno encontra-se, deste modo, desfavorecido por estar no segmento de luz da Lua (αἵρεσις) e acima do horizonte.

   Se considerarmos a ordem vernal, percebemos logo a importância deste ingresso, pois inicia-se aqui um novo ciclo de cerca de vinte e nove anos e meio. Já se distribuirmos as posições planetárias de acordo com o Thema Mundi, Saturno fixará então o seu ingresso na X, no lugar da Práxis (πράξις), logo definir-se-á como particularmente activa a influência deste planeta no signo de Carneiro, um signo que, por ser o domicílio de Marte e a exaltação do Sol, já encerra esta significação.

   Pelas razões já abordadas na reflexão acerca do ano astrológico de 2025, Saturno terá uma influência bastante expressiva ao longo do ano. Desta forma, devemos sistematizar as efemérides de Saturno ao longo dos próximos tempos. O primeiro ingresso de Saturno em Carneiro ocorre de 25 de Maio a 1 Setembro. Nesta última data, Saturno voltará a Peixes, onde ficará até 14 de Fevereiro de 2026. O segundo ingresso em Carneiro será até ao fim da sua passagem por este signo, ou seja, de 14 de Fevereiro de 2026 a 13 de Abril de 2028, quando ingressará em Touro. Vão observar-se também três períodos de retrogradação: o primeiro, de 13 de Julho a 28 de Dezembro de 2025; o segundo, de 26 de Julho a 10 de Dezembro de 2026; e o terceiro e último, de 9 de Agosto de 24 de Dezembro de 2027. Pela sua duração, o primeiro ingresso vai ter o sentido de promotor de um valor primordial, mas também de integração da mensagem do ingresso anterior. Terá de existir, neste ano de 2025 e também no início de 2026, uma ponte de significação entre os sentidos de Saturno em Peixes e os de Saturno em Carneiro.

   Por outro lado, a observação das dignidades permite uma consideração radical do valor desta passagem. Em Peixes, Saturno ocupa o domicílio de Júpiter e a exaltação de Vénus, encontra-se portanto no lugar dos benéficos. Em Carneiro, vai ocupar o domicílio de Marte e a exaltação do Sol. A união dos maléficos tende a ser sempre nociva, sobretudo se pensarmos que um pertence ao segmento de luz do Sol (Saturno) e o outro, ao da Lua (Marte). Já quando se dá a união dos benéficos a complementaridade Sol-Lua torna-se um sinal de dádiva, de harmonia dos opostos. O facto dos primeiros termos de Carneiro pertencerem a Júpiter é também aqui significativo, sobretudo pela análise do ingresso de Júpiter em Caranguejo. Em síntese, com o ingresso de Saturno em Carneiro, devemos observar com maior atenção, tendo em conta as dignidades essenciais, as suas relações com Marte (domicílio, primeiro decanato e primeira monomoiria), com o Sol (exaltação, sobretudo quando chegar ao grau 19) e com Júpiter (primeiros termos).

   No caso do Sol, este encontra-se em Gémeos aquando do ingresso de Saturno em Carneiro, unindo-se assim hexagonalmente aos seus raios. Depois, convém atentar-se ao seu grau de exaltação, tanto quando Saturno chegar a ele como quando for a vez do Sol. No entanto, é entre Marte e Júpiter que se deve fixar mais atentamente um olhar crítico. Ora Marte encontra-se em Leão, olhando triangularmente para Saturno em Carneiro. Porém, lembrando a lição de Petosíris acerca dos trígonos e das quadraturas, um trígono entre os maléficos continua a encerrar um carácter maligno. A força primária sobre o poder (Marte em Leão) une-se à acção retributiva (Saturno em Carneiro). Se pensarmos nos actuais ímpetos de militarização da sociedade, alimentando as indústrias da guerra, e a acção belicosa e desgovernada de muitos líderes, este aspecto pode agudizar essas pulsões. Já Júpiter encontra-se em Gémeos, olhando hexagonalmente tanto para Marte como para Saturno e fomentando alguns esforços isolados de moderação e diálogo, todavia, será só por alguns dias.

   A 9 de Junho, Júpiter ingressará em Caranguejo e aí formará uma quadratura a Saturno. Por se fixar então a angularidade em signos cardinais, este aspecto vai tornar a relação entre Júpiter e Saturno ainda mais estrutural. Os movimentos nacionalistas e xenófobos vão formar uma maior tensão face às migrações voluntárias e involuntárias e face a um mundo global que querem negar. Júpiter em Caranguejo vai mostrar que paralelemente à pátria existe uma mátria por cumprir. A mátria acolhe todos, pois é uma expressão da Mãe-Terra, da Grande Mãe. Já a pátria constrói-se na vontade de poder que pode ser sempre corrompida. No entanto, quando Saturno regressar a Peixes, formará um trígono a Júpiter em Caranguejo. Este será um momento em que a esperança na humanidade poderá ganhar um novo fôlego, um que alimente os combates futuros. A conjunção dos benéficos, Vénus e Júpiter, em Caranguejo, a 12 de Agosto, será o momento mais elevado dessa expressão. O Divino Feminino concederá a bênção da origem, da Grande Mãe, a quem a reconheça como derradeira esperança da humanidade. A barca de Ísis cruzará de novo o firmamento.

   De um outro modo, a relação de Saturno em Carneiro com os transaturninos também merece alguma distinção. Dos três planetas, será Neptuno aquele que exercerá uma maior influência. A conjunção de Saturno e Neptuno em Carneiro marcará os próximos meses e anos. Esta tende a ser uma co-presença que irá favorecer a confusão das coisas que define o nosso tempo. Saturno cristaliza e Neptuno dispersa são movimentos contrários. Um cria montanhas, o outro, oceanos. Em termos mundanos, esta conjunção vai favorecer o crescimento da extrema-direita, da intolerância, da xenofobia e do racismo, da misoginia e das ilusões que favorecem a guerra e o belicismo. Nesta união, não se encontrará qualquer esforço de harmonia e paz. A mensagem de que serão as armas a nossa salvação continuará a prevalecer e para isso é necessário encontrar inimigos em todo o lado. A ideia de inimigo comum serve sempre de impulsionador de totalitarismos.

   A relação de Saturno com Úrano só acontecerá quando este ingressar em Gémeos, formando assim uma troca hexagonal de raios. Esta ligação favorecerá uma transformação das estruturas e organizações através da tecnologia e da inovação. No entanto, por ser um sextil, os resultados transportam consigo a ambivalência da natureza humana. A inteligência artificial pode ser utilizada como meio de transformar o acesso à informação ou pode corrompê-la, manipulando-a e esvaziando a sua profundidade. A inteligência torna-se um meio e não uma finalidade. De um outro modo, mas complementarmente, o sextil de Saturno (e Neptuno) em Carneiro a Plutão em Aquário vai tentar equilibrar a ponte de sentido entre um dever de acção e a morte no humano. O narcisismo colectivo dos nossos dias tende a esquecer o memento mori dos estóicos, a sabedoria de que sabermos que vamos morrer. Essa é uma fragilidade poderosa.

   Depois de analisadas as principais relações, devemos explorar a natureza deste ingresso e o que leva consigo o planeta ao lugar, sim porque é o planeta que faz o lugar e não contrário. Existe, por vezes, numa certa astrologia contemporânea, a ditadura do signo sobre o planeta. Os deuses de passagem são os planetas e os lugares (signos) são apenas as suas casas ou templos. Saturno, para além da conhecida regência sobre o tempo e a necessidade, traz consigo o sentido de dever que é o outro lado do poder, expresso por Júpiter. Ora o dever é, de uma perspectiva estóica, uma forma de aprendizagem. A filosofia estóica define ἄσκησις como um exercício, um treino ou uma prática que conduz à virtude, à excelência. Neste sentido, é também um modo de vida, uma ascese. Saturno traz esta aprendizagem como dever que se expressa no lugar, no signo de Carneiro, como acção, como prática, ou seja, como uma práxis. Para o estoicismo, esta prática pode ser alcançada com os exercícios espirituais.  

   Séneca oferece-nos este exemplo de exercício espiritual: “Tenho, aliás, tanta vontade de pôr à prova a tua firmeza de alma que, com base nos preceitos de filósofos ilustres, forjaria este outro preceito destinado à tua pessoa: fixa alguns dias intercalados nos quais mates a fome com alimentos exíguos e vulgares, e te vistas com roupa o mais possível grosseira, de modo a comentares para ti próprio: ‘era então disto que eu tinha medo’. A alma deve preparar-se para as dificuldades durante os períodos de tranquilidade, deve-se fortalecer contra as injúrias da fortuna nos períodos em que ela nos sorri.” E continua, dizendo: “Se não queres que um homem entre em pânico perante uma situação concreta, treina-o antes que tal situação ocorra. Este princípio foi posto em prática por aqueles que todos os meses imitavam uma situação de pobreza a tal ponto que atingiram quase a miséria extrema, na intenção de nunca terem de recear o que de uma vez por todas aprendessem a suportar.” (Ep.18.5-6; Cartas a Lucílio, 2ª ed,, trad. J. A. Segurado e Campos. Lisboa, 2004: Fundação Calouste Gulbenkian).

   Outro exercício espiritual é a autoconsciência do erro, expresso do seguinte modo: “Certos indivíduos há que se gabam dos seus vícios: como imaginar que pode pensar em curar-se gente que torna os próprios defeitos como virtudes? Por isso mesmo, tanto quanto possas, acusa-te, move processos a ti mesmo. Começa por fazeres ante ti próprio o papel de acusador, depois o de juiz, depois o de advogado de defesa; e uma vez por outra aplica uma pena a ti mesmo!” (Ep.28.10; Cartas a Lucílio, 2ª ed,, trad. J. A. Segurado e Campos. Lisboa, 2004: Fundação Calouste Gulbenkian). Os exercícios espirituais servem o sentido saturnino de dever. No entanto, é preciso não esquecer que este dever não é para com o exterior é um dever para consigo mesmo.

   A acção proposta pelo signo de Carneiro nasce da sua própria significação de unidade enquanto parte do eixo de identidade (Carneiro-Balança) e, desta forma, confere a Saturno este dever para si consigo mesmo, para uma reflexão proactiva da ponte que é a identidade, ou seja, de uma que se estende entre a unidade e a dualidade. Os exercícios espirituais de premeditação da adversidade e de autoconsciência do erro são exemplos da proposta de ἄσκησις de Saturno em Carneiro.

   Na perspectiva da astrologia mitológica, poder-se-ia dizer que o mito da Titanomaquia é o que melhor define o ingresso de Saturno em Carneiro. Deve-se considerar, de início, o mito que coloca primeiramente como soberanos do céu e da terra Eurínome e Ofião. O poder passaria depois para Cronos (Saturno) e Reia e, por fim, para Zeus (Júpiter) e Hera. Encontramos, por exemplo, este mito já na fase helenística na Alexandra de Licofrão de Cálcis (1191 e ss.). De uma era matriarcal, onde reinaria Eurínome, a Grande Deusa dos pelasgos, e o seu consorte Ofião, uma grande serpente por si criada, seguir-se-ia uma era de transição, com Cronos (Saturno) e Reia e, por fim, a imposição do poder patriarcal, com Zeus (Júpiter) e Hera.

   Cronos/Saturno é um soberano de transição, porque nos seus mitos existe ainda uma prevalência de divindades femininas. O deus chega ao poder com a ajuda da mãe Gaia e de esposa Reia, duas Grandes Mães da era matriarcal. Tanto Cronos como Zeus sobem ao trono por via matrilinear, seja ela directa ou não. No entanto, é Zeus que impõe o poder patriarcal. Por vezes, isso acontece através de Atena e Apolo, tal como se pode ler na Oresteia de Ésquilo. De um ponto de vista astrológico, esta é uma das razões que justifica que alguns autores antigos tenham considerado Saturno um planeta feminino (Figueiredo, R. M., 2024, “Saturno e o Feminino na Astrologia Antiga” in Fragmentos Astrológicos, 2ª ed. revista e aumentada, 163-77. Lisboa: Livros – Rodolfo Miguel de Figueiredo).

   Este prelúdio mitológico coloca em contexto a Titanomaquia, ou seja, a luta entre os deuses antigos, os titãs, e os deuses olímpicos. Cronos liderava os primeiros e Zeus, os segundos. Convém assinalar-se que os titãs são deuses elementais e os deuses olímpicos são deuses ideais, ou seja, com o tempo tornaram-se sobretudo ideias ou conceitos. Existe portanto uma racionalização conceptual dos poderes divinos, uma que passa progressivamente a derivar apenas de uma divindade central, Zeus/Júpiter. Na obra de Ésquilo Prometeu Agrilhoado, o próprio Prometeu descreve esta oposição divina dizendo que os deuses começaram a encolerizar-se e gerou-se uma contenda entre os apoiantes de Cronos/Saturno e os apoiantes de Zeus/Júpiter (197-229). No entanto, convém assinalar-se que Zeus é apoiado pela avó Gaia e pela mãe Reia, ou seja, a Grande Mãe, o Divino Feminino, continua a ser o poder por detrás do poder, aquele gera os novos reis.  

   Com a derrota dos titãs, estes, e em especial Cronos, são atirados para o Tártaro, o lugar mais profundo do submundo. Foi lá que Cronos permaneceu acorrentado até que, segundo alguns mitógrafos, é perdoado e passa a reinar na Ilha dos Bem Aventurados. Este último mito tem uma forte relação com a passagem de Saturno pelo signo de Peixes, ou seja, existe um sentido de viagem, da guerra à redenção, de Carneiro a Peixes. A derrota dos titãs conduz também a uma diminuição do valor dos poderes elementais, da natureza. O mundo da pólis vence o mundo natural. A religiosidade helénica é profundamente marcada por esta significação: a vitória da civilização sobre a natureza. Hoje o nosso olhar é diferente e procuramos, em alguns movimentos espirituais, o regresso de divindades elementais e da natureza enquanto expressão do divino ou sendo ela mesma a divindade.

   No tema do ingresso de Saturno em Carneiro, podemos encontrar alguns dos elementos mitológicos da Titanomaquia. Os três irmãos que dividiram o poder depois de o tomarem do pai posicionam-se agora astrologicamente: Hades/Plutão que reina no submundo encontra-se junto ao Ponto de Culminação, sendo este o astro mais alto do tema; Zeus/Júpiter encontra-se junto do Ponto sob a Terra, o abismo do tema; e Posídon/Neptuno encontra-se a marcar a hora, subindo no horizonte após a ascensão e junto ao seu pai, Cronos/Saturno. Existe pois uma via ascendente que se estende de Júpiter até Plutão e se expressa com maior intensidade em Touro e Carneiro, devido a uma maior presença planetária. 

   De um ponto de vista simbólico é revelante o facto de Zeus/Júpiter se encontrar ainda no ventre de sua mãe, ou seja, sob a terra. Plutão a culminar lembra a canção de Zeca Afonso “A Morte saiu à Rua” que logo no início diz o seguinte: “A morte saiu à rua num dia assim / Naquele lugar sem nome pra qualquer fim”. A morte à vista de todos lembra tanto o memento mori, a certeza de que vamos morrer, como derradeira expressão da perfídia humana. No caso da canção de Zeca Afonso, temos o assassinato pelas mãos da PIDE, da polícia política da ditadura do Estado Novo. Existe um aviso que nos diz que, se o deixarmos, o mal encontra caminho. Em certa medida é como o paradoxo da tolerância descrito por Popper: a tolerância para com o intolerante pode levar a perda da própria tolerância. Saturno em Carneiro é, como já se observou, um dever de acção que coloca diante de nós a responsabilidade e a retribuição.                 

   O ingresso de Saturno em Carneiro traz consigo um tempo de desafios. Se em Peixes existia um dever interior de aceitar, de comungar, com o destino, com as leis do tempo e da necessidade, abraçando-se assim a totalidade, agora em Carneiro, esse desafio fixa-se na própria acção. Nos tempos que vivemos, nestes tempos sombrios, Saturno em Carneiro diz-nos que não podemos ser neutros. Temos hoje um dever de acção, uma responsabilidade, ou seja, o dever que transformar o interior terá de se espelhar no exterior. Em última análise, ao nos transformarmos, transformamos o mundo.