Num livro que é todo dedicado a uma única pessoa, este é um poema muito especial. Ainda me lembro de quando o escrevi e porque o escrevi. Parece que já foi noutra vida e, ao mesmo tempo, parece que foi ontem. E sim, continuo a pegar-te pelos espinhos para não ferir as pétalas.
Poema
No Jardim do Mundo
Para não ferir as pétalas
Como uma rosa rubra
Pegar-te-ei pelos espinhos
Tomarei a dor das lanças
A violência dos demónios
Para não ferir as pétalas
Como uma rosa rubra
Pegar-te-ei pelos espinhos
Defenderei o perfume de ti
Das silvas vis que te rodeiam
Para não ferir as pétalas
Como uma rosa rubra
Pegar-te-ei pelos espinhos
Dar-te-ei o orvalho de alba
Que a noite te quis esconder
Para não ferir as pétalas
Como uma rosa rubra
Pegar-te-ei pelos espinhos
Semearei contigo a esperança
Ocultando o sangue na mão
Para não ferir as pétalas
Como uma rosa rubra
Pegar-te-ei pelos espinhos
E assim crescerás em flor
Como vida amor e morte
Figueiredo, Rodolfo Miguel de, 2026, "No Jardim do Mundo" in O Resto Permanece Humano: Livro V, p.64-5. Lisboa: Livros - Rodolfo Miguel de Figueiredo.
Saiba mais acerca deste e de outros livros em https://rodolfomfigueiredo.wixsite.com/livros
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