quinta-feira, 19 de março de 2026

O Resto Permanece Humano: Livro V - Poema 1

Num livro que é todo dedicado a uma única pessoa, este é um poema muito especial. Ainda me lembro de quando o escrevi e porque o escrevi. Parece que já foi noutra vida e, ao mesmo tempo, parece que foi ontem. E sim, continuo a pegar-te pelos espinhos para não ferir as pétalas.

Poema
No Jardim do Mundo

Para não ferir as pétalas
Como uma rosa rubra
Pegar-te-ei pelos espinhos

Tomarei a dor das lanças
A violência dos demónios

Para não ferir as pétalas
Como uma rosa rubra
Pegar-te-ei pelos espinhos

Defenderei o perfume de ti
Das silvas vis que te rodeiam

Para não ferir as pétalas
Como uma rosa rubra
Pegar-te-ei pelos espinhos

Dar-te-ei o orvalho de alba
Que a noite te quis esconder

Para não ferir as pétalas 
Como uma rosa rubra 
Pegar-te-ei pelos espinhos 

Semearei contigo a esperança 
Ocultando o sangue na mão 

Para não ferir as pétalas 
Como uma rosa rubra 
Pegar-te-ei pelos espinhos 

E assim crescerás em flor 
Como vida amor e morte


Figueiredo, Rodolfo Miguel de, 2026, "No Jardim do Mundo" in O Resto Permanece Humano: Livro V, p.64-5. Lisboa: Livros - Rodolfo Miguel de Figueiredo.


Saiba mais acerca deste e de outros livros em https://rodolfomfigueiredo.wixsite.com/livros

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