segunda-feira, 23 de março de 2026

Reflexões Astrológicas 2026: Ano Novo Astrológico

Reflexões Astrológicas


Ingressos


2026 – Ano Astrológico

Lisboa, 09h02min, 20/03/2025

                 

Sol

Decanato: Marte    

Termos: Júpiter  

Monomoiria: Marte


Lua

Decanato: Vénus    

Termos: Marte  

Monomoiria: Júpiter        

 

   O início do ano astrológico ocorre tradicionalmente com o ingresso do Sol no signo de Carneiro, logo com o Equinócio da Primavera no hemisfério norte e com o Equinócio do Outono no hemisfério sul. Consequentemente, podemos demonstrar, como aliás já fizemos noutros textos, que esta pode não ser a única leitura. Devemos continuar a ser plurais como o universo e os solstícios, ao longo da história, já provaram ser igualmente marcos de um novo ano. A sua relação com a luz oferece-nos esse valor de novidade do mundo. Segundo, porém, a ordem vernal, algo desfasada do mesmo sentido profundo no hemisfério sul, o Sol entra em Carneiro no decanato de Marte, nos termos de Júpiter e na monomoiria de Marte, marcando assim o início de um novo ano. 

No tema de Lisboa, o ingresso do sol em Carneiro acontece com Leão a marcar a hora, algo bastante significativo se considerarmos o futuro ingresso de Júpiter neste signo. O Sol encontra-se no seu próprio Segmento de Luz (αἵρεσιςe acima do horizonte e no seu próprio lugar, na IX, no lugar de Deus, do deus Sol, juntamente Neptuno, Saturno, Vénus e a Lua. Esta poderosa com conjunção ou co-presença é um evento assinalável e simbólico deste novo ano astrológico. O valor de práxis do signo de Carneiro surge assim exacerbado, consolidando o poder da acção na construção do humano e da humanidade. Já a Lua encontra-se no decanato de Vénus, nos termos de Marte e na monomoiria de Júpiter. A posição da Lua traduz também a mensagem do novo ano, estando esta no lugar de exaltação do Sol, logo na sua queda, encontramos aqui um outro feminino. Em Carneiro, a Lua é Atena, a deusa sem mãe, a deusa que surge armada da cabeça do seu pai. No entanto, não nos devemos esquecer que Atena nasce de tradições mitológicas mais antigas, como por exemplo as associadas a Palas e que não transportam consigo esse peso patriarcal. Desta forma, a Lua em Carneiro é também a força do feminino é a mulher ou a Deusa que se torna a senhora de si mesma e a guerra nasce dessa vontade de libertação e liberdade.

  A astrologia moderna, por influência sobretudo do livro de Alice Bailey, tem, numa análise astro-mitológica, feito uma associação entre os signos do Zodíaco e os doze trabalhos de Hércules. De facto, existe uma significação que merece a nossa atenção. No entanto, a história dos doze trabalhos foi um esforço já tardio dos mitógrafos antigos. Devemos, deste modo, ter sempre em consideração que astrologia mitológica deve ter uma metodologia rigorosa, baseada nas fontes e não apenas em comentários modernos que, com grande frequência, utilizam erradamente o sentido do mito ao não o citarem de forma precisa. Por outro lado, a tradição mitológica é muito rico e não deve ser limitado. No caso de Carneiro, e sobretudo nesse ponte de sentido entre o fim do ciclo anterior, com Peixes, o início de um novo ciclo, já com Carneiro, Jasão é o herói por excelência. Ora Jasão, o herói de Ares (Marte, domicílio) precisa do favor de Apolo (Sol, exaltação) para que a finalidade da viagem seja alcançada, ou seja, precisa da luz para encontrar o fim, para chegar ao velo ou tosão de ouro (Κρίος Χρυσόμαλλος), a pele do aríete ou carneiro imortal (Carneiro), filho de Posídon (Neptuno, regente moderno de Peixes). Este esforço de encontrar a luz e alcançar o tosão de ouro é exemplificativo dessa práxis que o novo astrológico nos está a pedir.

   Séneca, acerca da virtude, e consideremos que a virtude e a excelência têm a mesma origem etimológica, afirma o seguinte: "Quero que fiques sabendo que a virtude encara com os mesmos olhos as suas obras, como se fossem suas crias, que tem a  mesma complacência em relação a  todas, embora dê mais atenção àquelas que exigem mais esforço; afinal, não é  verdade que também o amor dos pais é mais desvelado pelos filhos que maiores cuidados inspiram? Não quer isto dizer que a  virtude tenha mais apreço pelas obras que deparam com oposição e violência, mas sim que, à semelhança dos bons pais, as ampara e protege mais cuidadosamente." (Ep.66.27; Cartas a Lucílio, 2ª ed,, trad. J. A. Segurado e Campos. Lisboa, 2004: Fundação Calouste Gulbenkian). Existe uma exigência natural de esforço nesse caminho de excelência. Ora Saturno em Carneiro coloca esse esforço sobre a acção, dizendo-nos que aquilo onde colocas verdadeiramente o teu esforço, onde os teus actos revelam dedicação é um caminho de excelência, ou seja, é a tua luz, o teu tosão de ouro. 

   Para a análise do tema do início do ano astrológico é também importante considerar-se que a sizígia do novilúnio aconteceu no dia anterior, o que, devido ao facto de Mercúrio retrógrado e de Marte, bem como a Caput Draconis, se encontrarem Peixes, vem revelar o sentido de passagem entre o signo de Peixes e o de Carneiro. A transmissão de sentido matriz entre o signo da totalidade e o signo da unidade é bastante reveladora. O avanço anterior de Saturno e Neptuno entre estes dois signos vem também mostrar a importância desta significação. Existe aqui uma ideia primordial, sobretudo se atentarmos a ordem vernal, o fim de um ciclo e o começo de outro. Estamos portanto a viver a aurora de um tempo novo. Não é, porém, um tempo de bem-aventurança. Se em termos pessoais Saturno e Neptuno em Carneiro podem configurar, através da ação, uma restruturação de sonhos e ideais, em termos mundanos ou globais os desafios são completamente diferentes. O período até à união dos maléficos em Carneiro, com a presença de Neptuno, iniciando este agora um novo ciclo, será um período bastante complexo. Os conflitos mundiais, nomeadamente militares, estão particularmente potenciados. Veja-se o caso do Irão. Mas não só a fúria belicista de Trump e de Netanyahu terá naturalmente uma escalada, uma que conduzirá à resposta de um estado totalitário como o iraniano. Em conflitos movidos desta forma, não existem em boas intenções. A intensificação de cultos da personalidade e de narcisismo político, bem como o avanço da extrema-direita, com estes posicionamentos no signo Carneiro, serão evidentes ao longo deste ano astrológico. Curiosamente, o ano inicia-se no dia de Vénus e na hora de Mercúrio, revelando que o amor e a palavra ainda podem fazer caminho. 

   O valor da práxis, da grande co-presença ou stellium no signo de Carneiro, será quiçá a melhor assinatura de sentido do ano astrológico que agora se inicia. Temos os luminares, um no início e o outro no fim deste passeio celeste, com Neptuno, Saturno e Vénus. Se considerarmos a lição da astrologia esóterica que diz que Neptuno é Vénus numa oitava acima, ou seja, uma expressão do amor Universal, e estando a primeira exaltada em Peixes e sendo Neptuno o seu urgente moderno, vamos dar densidade a essa ideia de mudança de ciclo. Em Carneiro, Vénus e Neptuno tornam-se o amor em acto, mas podemos encontrar também. sendo Vénus o belo e a Neptuno imaginação criativa, a ideia de que a arte pode transformar o mundo. 

   O acto artístico, a criação da obra de arte, e a sua transmissão encerra em si um potencial de transformação. A criação artística conduz a uma mudança de paradigma e à abertura de um novo ciclo. A história é a prova desta proposta de transformação. O mundo muda mais pela arte do que pela política. A arte leva à criação do humano e da humanidade. Consequentemente, Saturno permite também esta restruturação de sentido. No entanto, como sempre, a revolução encontra sempre o movimento contrário, uma resistência ou contra revolução. Noutro sentido, esta concentração no signo masculino de Marte não favorece os direitos da mulher, nem a transformação pelo feminino. Este posicionamento favorece sim as novas formas de machismo e de marialvismo. Da exposição destas tendências, resulta a ideia de macho alfa que demoniza as mulheres e é altamente perniciosa, recuperando e exponenciando formas de submissão e objectificação da mulher. Devemos assim não esquecer que é necessário o equilíbrio entre o masculino e o feminino e esta concentração astrológica num signo masculino, regido por Marte e onde o Sol está exaltado, vem nos dizer que temos de encontrar um equilíbrio. O regresso do Sagrado Feminino é uma parte essencial dessa procura de equilíbrio.

   A restruturação da práxis, promovida por Saturno em Carneiro, pode porém ser transformadora. A ideia de tempo e destino de Saturno num signo de ação pode permitir uma consciência íntima do tempo, sobretudo do tempo divino. Algo que foi iniciado no signo de totalidade, em Peixes. Tornar o destino acto e fazer cumprir a providência é extremamente desafiante, sobretudo para um signo de impulsos, mostrando aliás porque é o primeiro dos signos. A ânsia de liberdade na ação quer anular a integração do destino, dos ditames da necessidade, todavia o destino não se anula. Como acabará por compreender a ação humana. No entanto, se for feita esta integração do destino, do tempo divino, na ação, pode permitir-se o nascimento de uma nova condição humana, uma com maior consciência da totalidade e da sua integração no todo. 

   Como já constatámos, Saturno tem uma predominância significativa neste ano astrológico. Porém, devemos considerar também a importância de Mercúrio que vai servir de contraponto à práxis, à urgência da ação que surge dos posicionamentos astrológicos no signo de Carneiro. O ano começa com Mercúrio ainda retrógrado, todavia, às 19 horas e 33 minutos, Mercúrio passará a direto no signo de Peixes. Ora, estando Mercúrio em detrimento e em queda neste signo, a palavra não é um ato exterior, surge de uma necessidade contemplativa de uma integração da totalidade. Em termos místicos, o humano conversa com o divino. O facto da retrogradação de Mercúrio acontecer, neste ano astrológico, em signos de água é também exemplificativa desse outro modo de usar a palavra. Aqui a palavra vai trazer a realidade da alma, mas será também uma realidade de empatia e solidariedade. As retrogradações de Mercúrio são, desta forma, as seguintes: de 29 de Junho a 23 de Julho, em Caranguejo; de 24 de Outubro a 13 de Novembro, em Escorpião; e de 10 de Fevereiro a 4 de Março de 2027, em Peixes e Aquário. A última como podemos ver terminará com o Mercúrio direto no signo de Aquário. Este aspecto é importante, pois, depois dessa integração do elemento Água na palavra e no discurso, o planeta de Hermes surge no signo da humanidade, Aquário, permitindo que a integração da empatia e da solidariedade se torne o marco de sentido dessa nova revolução, dessa nova humanidade.

   Séneca diz-nos que "Uma alma que contempla a  verdade, que atribui valor às coisas de acordo com a natureza e não com a  opinião comum, que se insere na totalidade do universo e observa contemplativamenre todos os seus movimentos, que dá igual atenção ao pensamento e à acção, uma alma grande e  enérgica, invicta por igual na desventura e na felicidade e em caso algum se submetendo à fortuna, na alma situada acima de todas as contingências e  eventualidades, uma alma bela e  equilibrada em doçura e energia, na alma sã, íntegra, imperturbável intrépida, uma alma que força alguma pode vergar, que circunstância alguma pode envaidecer ou deprimir - uma tal alma é a própria personificação da virtude. Este seria o aspecto da virtude se se apresentasse sob um único aspecto, se se mostrasse toda de uma só vez.(Ep.66.6-7; Cartas a Lucílio, 2ª ed,, trad. J. A. Segurado e Campos. Lisboa, 2004: Fundação Calouste Gulbenkian). Esta ideia leva-nos para Vénus que inicia o ano em Carneiro e iniciará o próximo em Aquário, estando retrógrada entre 3 de Outubro e 14 de Novembro, nos signos de Escorpião e Balança, ou seja, inicia a retrogradação em Escorpião, indo até Balança, onde passará a directa. Existe, por via do amor, neste processo de regresso a si, uma integração da sombra na harmonia dos opostos, na dualidade como união. Em termos anuais, vamos passar de uma Vénus de amor próprio (Carneiro) e para uma Vénus de amor fraterno (Aquário). 

   Marte fará, durante este ano astrológico, um viagem de Peixes a Virgem, dois signos que apelam a uma força mais benevolente. O eixo da integração vem exortar a essa conciliação da força na relação da parte com o todo. A sua retrogradação ocorrerá de 19 de Janeiro a 2 de Abril de 2027, nos signos de Leão e Virgem. Se em Virgem a moderação da força, ou o apelo a uma força retrotensa, será sobretudo na forma de conciliar os impulsos naturais com a integração da parte no sentido do todo, ou seja, num princípio de aceitação do destino, em Leão, o ensimesmamento do ego, da visão egocêntrica, é um apelo natural à nobreza da alma, à exaltações dos dons do espírito. Neste ano, a retrogradação de Marte e a sua viagem primordial pretendem que as forças primordiais sejam colocadas ao serviço e não sejam um fim em si mesmo. Menos eu e mais si deverá ser essa a força matriz. 

   A retrogradação de Marte em Leão encontrará de forma agregadora a viagem de Júpiter que transita do signo de Caranguejo para o de Leão, a 30 de Junho. Ficará retrógrado neste signo de 13 de Dezembro a 11 de Abril de 2027. Com o planeta da expansão que é Júpiter, a nobreza da alma como uma sublimação do egocentrismo leonino será como um horizonte de exemplo de exigência, de excelência, uma exigência que se colocará necessariamente sobre os líderes mundiais. As ideias de bem e de justiça, próprias da natureza de Júpiter, começaram a ser exigidas a esses líderes. Veja-se o controponto entre Pedro Sánchez e Luís Montenegro, um tem posição, o outro não tem nada. E podemos ver também aqui uma exigência ética na liderança. As pessoas vão sentir uma maior necessidade de encontrar um luz que guia e não uma escuridão que arrasta.

   Com Saturno em Carneiro, permanecendo todo o ano neste signo, estando retrógrado de 26 de Julho a 10 de Dezembro, este será assim um determinante relacional. Primeiro, é necessário destacar a união dos maléficos neste signo a 19 de Abril. Este será um período de grandes tensões em termos globais, um factor agravado por Júpiter ainda se encontrar em Caranguejo, formando-se assim uma quadratura, e também pela presença de Neptuno na conjunção dos maléficos. O sextil a Plutão em Aquário também não será apaziguador, pelo contrário, traz à humanidade a escolha da morte e da destruição. Espera-se com a conjunção dos maléficos, mesmo estando Marte no seu domicílio, uma escalada nos conflitos militares, no discurso de ódio e na propagação da extrema-direita. 

   Com a entrada de Júpiter em Leão, a relação triangular poderá melhorar a situação. No entanto, nnunca nos podemos esquecer a muito referida lição de Petosíris, de que nem todos os trígonos são bons nem todas as quadraturas más (fragm.38 Riess). Neste caso, como são dois planetas estruturantes, ou sociais na designação moderna, espera-se uma maior conciliação. O encontro triangular de Júpiter e Saturno no elemento Fogo poderá trazer uma dinâmica de esperança, em especial, quando os luminares e os planetas mais rápidos passarem nestes signos (Carneiro e Leão), bem como no de Sagitário. O fogo poderá queimar com o espírito a supercialidade das vontades, ou seja, a expressão mais elevada do elemento é a de que as vontades humanas se submentem a uma única vontade. Este elemento não expressa uma liberdade individualista, mas sim a liberdade que resulta da consciência de si e da consciência de que existe um sentido último que tudo governa.

   Quanto aos transaturninos, só Úrano mudará de signo. A 29 de Abril ingressa no signo de Gémeos, estando retrógrado de 10 de Setembro a 9 de Fevereiro de 2027. Esta alteração será um grande factor de mudança, pois permitirá uma relação mais vantajosa entre Úrano e os outros planetas, ou seja, vai estabelecer um trígono com Plutão em Aquário e um sextil com Neptuno em Carneiro. Naturalmente, esta mudança vai ajudar a transformar radicalmente os paradigmas de comunicação, sobretudo pela inteligência artificial, e para o bem e para o mal. Se, por um lado lado, o conhecimento ganhará uma velocidade gigantesca, algo tão geminiano, por outro lado, a desinformação alcançará novos contornos que podem inclusive promover a viciação de resultados eleitorais ou do sentido da consciência de massas, expandindo os discursos de ódio, o racismo, a xenofobia e a misoienia. Neptuno permanecerá assim em Carneiro, estando retrógrado de 7 de Julho a 12 de Dezembro (em termos numerológicos este aspecto é curioso). Já Plutão permanecerá também em Aquário, estando retrógrado 6 de Maio a 16 de Outubro. 

   Em suma, e como é facilmente perceptível, existe uma forte componente masculina nos posicionamentos astrológicos deste ano, o que nos poderá levar a pensar e a tentar impor a nós próprios, individualmente, mas também em termos colectivos, os modos femininos de ser e estar. O mundo precisa desesperamente do Sagrado Feminino. Há séculos que é, do ponto de vista espiritual, órfão de mãe e isso levou a um profunda alteração civilizacional e humana. Lembremo-nos da máxima de que Ísis era tudo para todos os homens, mulheres e crianças. Falta-nos esse elemento e de ponto de vista astrológico vamos ter de o encontrar à medida que os luminares e planetas mais rápidos façam os seus ingressos em signos femininos e permitam, desse modo, uma outra dinâmica. A Deusa é aquele caminho que todos vêem e a maioria recusa seguir. No entanto, este ano astrológico será um ano de mudanças profundas e rápidas. Devemos estar alerta e agir, conscientemente.    

quinta-feira, 19 de março de 2026

O Resto Permanece Humano: Livro V - Poema 1

Num livro que é todo dedicado a uma única pessoa, este é um poema muito especial. Ainda me lembro de quando o escrevi e porque o escrevi. Parece que já foi noutra vida e, ao mesmo tempo, parece que foi ontem. E sim, continuo a pegar-te pelos espinhos para não ferir as pétalas.

Poema
No Jardim do Mundo

Para não ferir as pétalas
Como uma rosa rubra
Pegar-te-ei pelos espinhos

Tomarei a dor das lanças
A violência dos demónios

Para não ferir as pétalas
Como uma rosa rubra
Pegar-te-ei pelos espinhos

Defenderei o perfume de ti
Das silvas vis que te rodeiam

Para não ferir as pétalas
Como uma rosa rubra
Pegar-te-ei pelos espinhos

Dar-te-ei o orvalho de alba
Que a noite te quis esconder

Para não ferir as pétalas 
Como uma rosa rubra 
Pegar-te-ei pelos espinhos 

Semearei contigo a esperança 
Ocultando o sangue na mão 

Para não ferir as pétalas 
Como uma rosa rubra 
Pegar-te-ei pelos espinhos 

E assim crescerás em flor 
Como vida amor e morte


Figueiredo, Rodolfo Miguel de, 2026, "No Jardim do Mundo" in O Resto Permanece Humano: Livro V, p.64-5. Lisboa: Livros - Rodolfo Miguel de Figueiredo.


Saiba mais acerca deste e de outros livros em https://rodolfomfigueiredo.wixsite.com/livros

domingo, 8 de março de 2026

Lançamento: O Resto Permanece Humano - Livro V


Lançamento 

O Resto Permanece Humano: Livro V


Sinopse 

O Resto Permanece Humano é um projecto editorial que começou por reunir alguns poemas publicados no blogue com o mesmo nome, bem como nos outros sítios e redes sociais do autor, mas que, com o tempo, se tornou um projecto de continuidade, em livros como algumas das obras fragmentárias da Antiguidade, inacabadas e incompletas.

Os cento e um poemas que estão reunidos neste quinto livro foram escritos em 2025, entre Fevereiro e Novembro, todavia, este livro difere dos Livros I, II, III e IV, pois todos os poemas se resumem a única temática: o amor. E não é o amor num sentido amplo e diverso, é o amor centrado numa única pessoa, numa mulher. Este é um amor move o Sol e todas as estrelas e que trouxe uma profunda transformação. Era portanto impossível não lhe dar, em livro, um lugar que é seu por direito.

A obra cujo título segue os versos de Ovídio, “cetera sunt hominis, partem damnatur in unam /induiturque aures lente gradientis aselli” (Metamorfoses, XI, 178-9), pretende mostrar que, quando a acção humana e a espuma dos dias colocam o humano em remissão, esvaziando o sentido de humanidade, existe sempre algo que resta, algo que conserva esse humano que se perde. A sabedoria continua a ser um caminho de redenção. Neste livro, o amor e a sabedoria são um só e o amor da sabedoria e a sabedoria do amor são alcançados, neste caso, através de uma mulher, a quem o livro é dedicado.


Edição Comum (Paperback)

Edição: Março de 2026

Páginas: 158

ISBN: 9798246013014

Preço: 12,00€ (UE)

Comprar https://www.amazon.es/-/pt/gp/aw/d/B0GKNX8W2Z

Edição Especial (Hardcover)

Edição: Março de 2025

Páginas: 158

ISBN: 9798248701063

Preço: 17,00€ (UE)

Comprar https://www.amazon.es/dp/B0GNTJ68GD

Ebook

Kindle https://www.amazon.com/dp/B0GKW5LXGY

Google Play https://play.google.com/store/books/details?id=uUW7EQAAQBAJ 

Kobo https://www.kobo.com/pt/pt/ebook/o-resto-permanece-humano-livro-v

Preço: 4,00€ (UE)


Saiba mais acerca deste ou de outros títulos em https://rodolfomfigueiredo.wixsite.com/livros

terça-feira, 3 de março de 2026

Reflexões Astrológicas 2026: Eclipse Lunar Total (Lua Cheia Virgem-Peixes)

  Reflexões Astrológicas

Eclipses 


Eclipse Lunar Total

(Lua Cheia: Virgem-Peixes)     

Lisboa, 11h33min, 03/03/2025

 

Lua

Decanato: Vénus 

Termos: Vénus

Monomoiria: Vénus      

 

Sol

Decanato: Júpiter

Termos: Júpiter

Monomoiria: Saturno   

 

   O Eclipse Lunar Total de dia 3 de Março ocorre com a Lua no signo de Virgem e com o Sol no de Peixes, com Gémeos a marcar a hora e cerca de quatro horas e meia após o nascer-do-sol (hora de Lisboa), logo no Segmento de Luz (αἵρεσις) do Sol, estando este acima do horizonte, na X, no lugar da Práxis (πράξις), daquilo que se faz e da efectivação da possibilidade, já a Lua está abaixo do horizonte, na IV, no lugar sob a Terra (ὑπόγειον), no submundo, embora o eixo de Culminação se encontra entre a IX e a III. A Lua encontra-se pois no decanato, nos termos e na monomoiria de Vénus, enquanto o Sol encontra-se no decanato e nos termos de Júpiter e na monomoiria de Saturno. Com esta última excepção, a monomoiria do Sol ser a de Saturno, a três dignidades estão sob a regência dos benéficos, respectivamente Júpiter para o Sol e Vénus para a Lua.

   Numa análise imediata, para além da questão das dignidades, devemos também ter consideração que, à semelhança do tema do eclipse solar, Gémeos marca hora e Aquário culmina e Marte é igualmente o astro mais alto, no mesmo caminho que se inicia em Úrano. No entanto, existe uma diferença substantiva. No eclipse anterior, Marte encontrava-se em Aquário e Úrano em Touro, marcando assim um aspecto quadrangular e uma dinâmica de tensão, enquanto agora com Marte já em Peixes o aspecto passa a ser hexagonal e a dinâmica benigna, apelando a uma iniciativa que congregue a ideia de vida taurina com a ideia de totalidade pisciana. Sendo os dois signos femininos, e estando Vénus em exaltação, a universalidade do amor e da compaixão e a sua integração com a defesa do planeta, da vida torna-se mais expressiva. 

   Com o eclipse solar de dia 17 de Fevereiro iniciou-se a passagem no ciclo nodal do eixo Virgem-Peixes para o eixo Leão-Aquário. De facto, em termos de eclipses solares essa passagem já terminou, todavia, no que aos eclipses lunares concerne a passagem ainda está em curso. O eclipse actual é o penúltimo com a Lua em Virgem, o próximo será a 20 de Fevereiro de 2027, e o antepenúltimo do eixo, ou seja, existirá ainda um eclipse com a Lua em Peixes, a 28 de Agosto do corrente ano. Se pensarmos que os eclipses lunares têm uma maior relação com os fenómenos naturais e as dinâmicas do planeta que os eclipses solares, com um peso maior sobre a realidade civilizacional, seja ela política, social ou militar, podemos observar que o eixo de integração (Virgem-Peixes) vê ainda uma incidência da sombra sobre a sua relação com a natureza e com o planeta. O eixo de integração que contempla a relação da parte com o todo verifica pois uma ocultação do seu potencial transformador face à gravidade da sombra.      

   Pela própria natureza dos signos e, neste caso, pela especificidade astro-mitológica do signo de Virgem, já analisada por diversas vezes, é facilmente verificável o peso do manto umbral sobre o feminino, sobre o Divino Feminino. Um outro aspecto observável no tema de Lisboa é a dupla ocultação da Lua. Por um lado, temos a ocultação própria de um eclipse lunar e, por outro, temos primeiro a ocultação via segmento de luz, ou seja, o segmento dominante é o do Sol e a Lua encontra-se abaixo do horizonte e, em segundo, ela encontra-se no quarto lugar, o Lugar sob a Terra, a casa do submundo, do Tártaro. Em termos de pronoia astrológica, esta forte ocultação da Lua, considerando a sua influência sobre o planeta, poderá ter um impacto significativo em fenómenos naturais extremos. Os sismos e as erupções vulcânicas estarão altamente potenciados. Não só por esta condição da Lua, mas também pela relação quadrangular entre Úrano em Touro e Plutão em Aquário e por Marte ser o astro mais alto. Claro que com Marte em Peixes as tempestades e os tufões, ou sismos com origem no mar, devem também ser considerados.

   De um ponto de vista mitológico ou astro-mitológico, a ausência da Deusa, o seu abandono da terra devido à perfídia humana traduz a inquietação planetária da Mãe-Terra. Gaia, nesta caso sob a forma de Astreia ou de Dikê, traz à humanidade o peso da desmedida. A Terra, como um único organismo vivo, e se quisermos divino, transporta consigo um princípio de causalidade. As agressões que têm sido cometidas, a destruição e utilização desenfreada dos recursos têm necessariamente um efeito, uma consequência, ou seja, o planeta, a Mãe-Terra, reage. A sombra sobre a luz do feminino é um alerta claro para esse princípio de causalidade. A passagem de Hesíodo, em Os Trabalhos e os Dias, já citada anteriormente, afirma o seguinte: “E ela segue-os, chorando pela cidade e pelas moradas dos povos, / vestida da névoa, trazendo desventura aos homens que a baniram e a não distribuem com rectidão” (222-4 / trad. A. Elias Pinheiro & J. Ribeiro Ferreira. 2005: 100. Lisboa: INCM). Existe uma negação do princípio feminino, uma rejeição. No entanto, a Deusa não sobe logo para o Olimpo, primeira refugia-se na montanha, ou seja, apesar da rejeição, a Astreia tem relutância em abandonar a humanidade. No fundo, a Deusa acredita no humano e na sua transformação. A esperança, a compaixão e a solidariedade são tudo aquilo que salva a humanidade. A exaltação de Vénus de Peixes aponta para essa fé no humano.

   O eclipse lunar de dia 3 terá uma influência temporal mais intensa entre um a três meses que, se atentarmos à declinação dos luminares e à duração do período penumbral, poderá estender-se até aos seis meses. Devemos, todavia, estabelecer uma influência mais acentuada até eclipse lunar de 28 de Agosto. Quanto à influência geográfica do eclipse, o meridiano que lhe serve de centro é particamente aquele que separa a Ásia da América, ou seja, os territórios russos e norte-americano do Alasca. Este aspecto geográfico é significativo sobretudo se tivermos em consideração que a relação entre a América de Trump e a Rússia de Putin é algo sombria ou obscura. Os territórios abrangidos por este eclipse são vastos, tanto no manto umbral como penumbral, exclui-se apenas a África e a Europa e Ásia ocidental.

   Segundo as regências geográficas antigas, Vétio Valente (Antologia I, 2) diz-nos que Virgem rege a Mesopotâmia, a Babilónia, a Grécia, a Acaia (Grécia), Creta, Cíclades (Grécia), Peloponeso, Arcádia, Cirene (Líbia), Dória (Grécia), Sicília e Pérsia ou Parsa (Irão). Manílio, por seu lado, afirma que a Jónia (Turquia), a Cária (Turquia), Rodes e a Grécia estão sob a sua influência (Astronomica IV, 763-8).Peixes exerce influência sobre o Eufrates e o Tigre, a Síria, o Mar Vermelho e o Mar Arábico, a Índia, a Média-Pérsia e as regiões circundantes, o rio Borístenes ou Boristene (Dniepre), a Trácia, a Ásia e a Sardenha. Manílio, por seu lado, concede a Peixes o Eufrates, o Tigre e o Mar Vermelho, as terras da Pártia, a Báctria, a Etiópia, a Babilónia, Susa e Nínive (Astronomica IV, 800-6).

   O eclipse lunar de 3 de Março pertence à série Saros 133, sendo o 27º eclipse de um total de 73. O período de eclipses totais iniciou-se a 28 de Dezembro de 1917 e só terminará a 3 de Agosto de 2278. Como já é sabido, o eclipse inicial serve de matriz de sentido para toda a série. Ora o primeiro eclipse desta série ocorreu a 13 de Maio de 1557 (Calendário Juliano). A Lua estava em Sagitário e o Sol em Gémeos, já o Dragão da Lua estendia-se de Escorpião (Cauda) a Touro (Caput). Mercúrio, Vénus e Saturno estavam em Touro, Marte retrógrado em Balança e Júpiter retrógrado em Capricórnio. No transaturninos, Úrano retrógrado estava em Escorpião, Neptuno em Touro e Plutão em Peixes. Nesta data e na hora de Lisboa, Leão marcava a hora e Carneiro culminava. A série Saros 133 terminará a 29 de Junho de 2819, com um eclipse no eixo Gémeos-Sagitário, ou seja, com a Lua em Sagitário e o Sol em Gémeos.

   A comparação do tema do eclipse com o tema do eclipse-matriz revela uma conjunta de particularidades que servem especialmente para demonstrar como o eclipse apresenta uma activação de toda a série e do sentido original. Primeiro, o eixo dos luminares encontra-se onde hoje se encontra o eixo de ascensão, ou seja, no eixo Gémeos-Sagitário. Em segundo lugar, o Ponto de Culminação do eclipse-matriz onde hoje se encontra Saturno e Neptuno, em Carneio. Em terceiro, existe uma forte presença planetária na relação Touro-Peixes tanto na matriz como agora. Estes são apenas alguns aspectos que revelam essa activação do sentido da série e uma efectivação da sua mensagem.

   Do ponto de vista histórico, o ano de 1557, o ano do eclipse-matriz, foi marcado por intensos confrontos entre as grandes potências europeias, por avanços significativos da expansão espanhola nas Américas e por um ambiente político‑religioso cada vez mais tenso. Em Inglaterra, a declaração de guerra à França inseriu-se no jogo de alianças dinásticas entre Maria I e Filipe II de Espanha, contribuindo para o agravamento dos conflitos que já opunham franceses e espanhóis. Esse clima culminou na decisiva Batalha de São Quintim, a 10 de Agosto, onde as forças dos Habsburgo derrotaram as francesas e reforçaram o seu domínio no continente.

   No mesmo ano, a Europa assistiu também a debates teológicos em Worms que reflectiam a profunda da divisão provocada pela Reforma Protestante. No continente americano, o Império Espanhol consolidava a sua presença. Foram fundadas cidades como Cuenca, no actual Equador, e Trujillo, na Venezuela, reforçando a malha administrativa colonial. No Chile, a resistência indígena enfrentou momentos decisivos: a morte do líder mapuche Lautaro, na Batalha de Mataquito, enfraqueceu temporariamente a luta contra os conquistadores, enquanto confrontos como o de Lagunillas mostravam a persistência da resistência araucana. As explorações marítimas também avançaram, com Juan Ladrillero a alcançar a Ilha da Desolação, contribuindo para o conhecimento europeu das rotas austrais.

   No norte da Europa, movimentos políticos e religiosos continuavam a ganhar força. A formação do Primeiro Pacto dos Protestantes Escoceses marcou um passo importante na afirmação do protestantismo na Escócia, enquanto nos Países Baixos a reunião dos Estados Gerais evidenciava tensões que, mais tarde, culminariam na revolta contra o domínio espanhol. Os factos históricos em torno do eclipse são particularmente revelantes, pois não só revelam a significação de toda a série como apresentam indicadores de sentido muito relevantes para a análise do eclipse actual. As tensões de 1557 não são muito diferentes das actuais. O acumular de situações, a guerra na Ucrânia, o genocídio na Palestina, as invasões da Venezuela e do Irão em nome da democracia, mas com capitalismo selvagem e a ganância do petróleo como pano de fundo, é um claro sinal desta comparação dos tempos e do sentido da série Saros. A desmedida autocrática é a demonstração do lado maligno da conjunção de Saturno e de Neptuno em Carneiro. No entanto, se pensarmos o avanço de Marte de Aquário para Peixes permitindo um aspecto benéfico a Úrano em Touro, traz consigo um potencial de escolha sobre a agressão, sobre a desmedida no mundo.

   Ora esses aspectos, a par da retrogradação de Mercúrio em Peixes e da concentração planetária neste signo (Marte, Caput Draconis, Sol, Mercúrio e Vénus), permitem ao humano uma reformulação da sua forma de estar no mundo, de como lidar com a ofensa, de como agir e de como não dar poder a quem ofende. Epicteto, nas Diatribes, diz-nos: “Homem, não contemples o espectáculo e não te oprimas. Qual é o problema? Ou espera um pouco e, quando terminar o espectáculo, senta no lugar dos senadores e toma um banho de sol. Em geral, pois, lembra-te disto: nós mesmos nos afligimos, nós mesmos nos colocamos em aperto – isto é: as nossas opiniões nos afligem e nos põe em aperto. O que é ser ofendido? Põe-te diante de uma pedra e ofende-a. O que obténs? Se alguém escutar como uma pedra, que vantagem há para quem ofende? Mas se possuir uma fraqueza, aquele que ofende, ao ofender, terá um meio de acesso e, então, conseguirá algo.(I.25, 27-9, trad. Dinucci, 153. Coimbra, 2020: IUC). Perante os grandes acontecimentos do mundo, o olhar para dentro, para a cidadela interior, e transformar a sua própria realidade pode ser a chave que abre no peito, no coração, o verdadeiro poder. A Imperatriz torna o coração, faz do amor, uma romã que espalha as suas sementes no mundo

   O trígono de Marte em Peixes a Júpiter retrógrado em Caranguejo, estando este no tema de Lisboa na II, no lugar da vida e do valor, vem alertar para uma realidade social que permeia as sociedades e, face ao ódio, à agressão, à diminuição do outro, parece sempre esquecida, ou disfarçada sob o véu da caridade dominical. A pobreza e as desigualdades sociais são o verdadeiro inimigo da humanidade. Séneca questiona-nos, afirmando o seguinte: “O mais rico de todos os povos não será aquele em que é impossível encontrar um pobre?” (Ep.90.38; Cartas a Lucílio, 2ª ed,, trad. J. A. Segurado e Campos. Lisboa, 2004: Fundação Calouste Gulbenkian). O sextil dos planetas em Peixes a Úrano em Touro exorta a um renovado espírito revolucionário. No caso português, enquanto existir pobreza e desigualdade social Abril estará por cobrir. Para o humano, a revolução tem de ser permanente e não um mero estado transitório, não apenas um epifenómeno civilizacional ou pessoal, mas sim um processo permanentemente em curso. O espírito revolucionário é também a nobreza do espírito. 

   Como estamos a viver um eclipse, o peso da sombra, a gravidade da ocultação tem necessariamente a sua influência. O destino, uma vez que a Lua se une à Cauda Draconis em Virgem, vem trazer a sombra aos aspectos da vida pessoal e colectiva que pedem reflexão e transformação. O próprio trígono entre a Lua umbral e Úrano serve esse propósito. Neste caso, existe todavia um certo esforço, ou seja, a Necessidade vem pedir restruturação e para isso é preciso quebrar as velhas estruturas. Face ao tema de Lisboa, pode ser necessário destruir a casa para construir um lar. Se a sombra cai sobre a parte (Lua em Virgem), a luz solar no alto do tema (Sol em Peixes) clama por totalidade, por envolvimento amoroso (Vénus exaltada). No fim, só o amor faz o humano.

   A análise dos aspectos, das relações que formam o tema deste eclipse mostra-nos que, para além da oposição umbral e das conjunções ou das co-presenças que os antigos não designariam exactamente como um aspecto, existe uma maior predominância de sextis e trígonos que de quadraturas, revelando essa ponte entre o destino e a acção, a liberdade de fazer do carácter o seu próprio destino. Porém, existem sempre os dois lados e, a par da transformação interior, existe uma restruturação exterior, infelizmente pela via da tensão e da destruição que clama, como um tambor de guerra, pela criação de uma verdadeiramente humanidade.

   A quadratura de Saturno e Neptuno em Carneiro a Júpiter retrógrado em Caranguejo e quadratura de Úrano em Touro a Plutão em Aquário trazem consigo essa força motriz. Como a astrologia deve representar a realidade e não transformá-la numa alucinação em que tudo é maravilhoso, estes aspectos transportam um potencial de destruição imenso. No entanto, o sentido, tendo o Tarot como pano de fundo, não é tanto a relação entre o Diabo e a Torre, mas sim entre a Torre e a Estrela. É preciso encontrar, entre as ruínas do passado, a esperança no futuro. Existe sempre na realidade um tesouro, algo que nos faz acreditar e continuar a caminhar. Há um perigo todavia a pairar sobre o horizonte que é colocar a fé numa corrupção do humano, num falso ideal. A conjunção Saturno-Neptuno em Carneiro alerta para o perigo do endeusamento dos líderes.

   Em suma, este eclipse de dia 3 de Março, por acontecer com a Lua em Virgem, e estando o seu regente, Mercúrio, retrógrado e no signo contrário, Peixes, coloca a sombra sobre a palavra, sobre aquilo que se transmite. A distorção da palavra, dos conceitos, das ideias, corrompe a realidade e o projecto universal de transformação do humano e de criação de uma verdadeira humanidade. Falta pois compaixão na palavra e palavra na acção.   

domingo, 1 de março de 2026

Calendário Astrológico 2026: Março


O calendário foi gerado pelo software astrológico Janus 5.5 
e calculado paras as coordenadas de Lisboa (PT).

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