quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Benjamin e a Astrologia


On Astrology

   An attempt to procure a view of astrology from which the doctrine of magical "influences," of "radiant energies, " and so on has been excluded. Such an attempt may be provisional, if you like. It is very important because it would purify the aura surrounding these investigations. And we necessarily come across such research if we inquire into the historical origins of the concepts of a scientific humanism. Nowhere more pervasively, perhaps, than in astrology. I have shown the intensity it conferred on the concept of melancholy. Something along these lines could be adduced for many other concepts. 

   The approach looks like this: We start with "similarity." We then try to obtain clarity about the fact that the resemblances we can perceive, for example, in people's faces, in buildings and plant forms, in certain cloud formations and skin diseases, are nothing more than tiny prospects from a cosmos of similarity. We can go beyond this and attempt to clarify for ourselves the fact that not only are these resemblances imported into things by virtue of chance comparisons on our part, but that all of them-like the resemblances between parents and children-are the effects of an active, mimetic force working expressly inside things. Furthermore, not only are the objects of this mimetic force innumerable, but the same thing may be said of subjects, of the mimetic centers that may be numerous within every being. On top of all this, it must be remembered that neither the mimetic centers nor their objects, the mimetic obj ects, can have remained unchanged through time, and that in the course of the centuries both the mimetic force and the mimetic mode of vision may have vanished from certain spheres, perhaps only to surface in others. For example, there can be no doubt that people in Antiquity had a much sharper mimetic sense for physiognomic resemblances than does modern man, who really only recognizes facial similarities, and no longer has much ability to recognize bodily similarities. We may further reflect that in Antiquity, physiognomy was based on animal resemblances.

   If these considerations bring us close to astrology, the decisive factor is still lacking. As students of ancient traditions, we have to reckon with the possibility that manifest configurations, mimetic resemblances, may once have existed where today we are no longer in a position even to guess at them. For example, in the constellations of the stars. The horoscope must above all be understood as an originary totality that astrological interpretation merely subjects to analysis. The panorama of the heavenly bodies presents a characteristic unity, and the characters of the individual planets, for example, are recognized only through their function within the constellation. (The word "character" is provisional here. We should really say "essence." ) We must reckon with the fact that, in principle, events in the heavens could be imitated by people in former ages, whether as individuals or groups. Indeed, this imitation may be seen as the only authority that gave to astrology the character of experience. Modern man can be touched by a pale shadow of this on southern moonlit nights in which he feels, alive within himself, mimetic forces that he had thought long since dead, while nature, which possesses them all, transforms itself to resemble the moon. Nevertheless, these rare moments furnish no conception of the nascent promises that lay in constellations of the stars.

   But if mimetic genius really was a life-determining force in Antiquity, then it is more or less unavoidable that the full possession of this gift, the most consummate expression of cosmic meaning, should be given to the newborn infant, who even today in the early years of his life will evidence the utmost mimetic genius by learning language.

   This, then, is the complete prolegomenon of every rational astrology. 
  

Benjamin, Walter, On Astrology (1932), Selected Writings, Volume 2, Part 2, 1931-1934, Edited by Michael W. Jennings and Translated by Rodney Livingstone, Cambridge (Massachusetts) and London (England), The Belknap Press of Harvard University Press, 1999, pp.684-685.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Astrologia Empresarial

  A premissa que julgo mais adequada para definir a astrologia é considerá-la, não uma ciência, não uma arte, mas uma forma de linguagem. Esta redefinição não diminui o seu valor, demonstra sim a sua função num mundo com outras exigências. Se a astronomia descreve o Nómos, a norma, a estrutura, a mecânica do céu, a astrologia aponta para o Logos, para a razão, para o sentido, para o discurso celeste. Logo, quando a comunidade científica afirmou, por exemplo, que Plutão não era um planeta,  isso não se traduziu num problema para a astrologia, pois Plutão é parte de um sistema simbólico, formado por ideias e arquétipos, e aquilo que expressa é mais relevante do que a forma como um outro sistema o define.  A astrologia é uma linguagem que tem o céu como imagem, como representação. A apreensão do sentido que a astrologia indica pode permitir que esta se transforma em astrosofia, ou seja, num modelo de interpretação da realidade em que o sentido e o mistério adquirem um valor de afinidade electiva e de escolha mimética. Ora se a natureza da astrologia pode ser alvo de uma redefinição, também o modo como a utilizamos e aplicamos é objecto de reavaliação.

Figura 1
Mapa Astrológico Natal de Warren Buffett
30-08-1930   15h00m
Omaha, Nebraska, EUA
  A astrologia esteve sempre, ao longo da sua história, em sintonia com os anseios do ser humano. Na verdade, contrariamente ao que se possa pensar, a astrologia não é nem geocêntrica, nem heliocêntrica, é, por essência, antropocêntrica. O seu objecto primeiro é o humano, daí que esteja em harmonia com aquilo que mulheres e homens procuram. O amor, a família, a saúde, o trabalho e o dinheiro são os temas que estão na origem da maioria das consultas de astrologia. No entanto, o exercício da astrologia apresenta outros vectores. A astrologia como modelo de transformação é quiçá o principal vector, alternativo à astrologia mundana ou comum. Este carácter transformador pode transpor um paradigma espiritual e, nesse caso, insere-se numa concepção teocêntrica do mundo, independentemente da ideia de divino, ou procurar um conhecimento de si cujo objecto é psique. Essa demanda aproxima-se mais da psicologia, não necessariamente da psicologia clínica, mas de uma psicologia que era uma área do saber da filosofia. Nesse modelo, a astrologia aproxima-se da filosofia prática, da psicanálise e da psicologia analítica. Porém, existe um outro vector que não tem tido grande expressão, sobretudo em Portugal. Falo de uma astrologia aplicada à sociedade, ou seja, de um modelo astrológico que transcende o ser humano, o individual, e se fixa nas expressões colectivas da humanidade. As empresas são uma parte desses esforços colectivos, logo a astrologia pode ser aplicada às empresas e nas suas actividades desempenhar uma voz activa.

Figura 2
Mapa Astrológico Natal de Bill Gates
28-10-1955   22h00m
Seattle, Washington, EUA
  A astrologia pode ser um importante contributo para aquilo que é denominado como business intellegence, uma vez que complementa, confirma ou aprofunda muitos dos dados ou até mesmo intuições de quem dirige ou coordena. O conhecimento da astrologia e a sua competência para interpretar signos e sinais permite a uma empresa, por um lado, redefinir-se e reavaliar-se e, por outro, possibilita que o sucesso seja mais tangível. A astrologia recoloca uma empresa no espaço e no tempo, não meramente através de um recurso predicativo, mas através do conhecimento do meio em que se insere e da compreensão das alternâncias temporais. Porém, a questão que se coloca é de como pode uma empresa utilizar a astrologia. A resposta imediata, com base no que quem sido a tradição astrológica mais comum, seria para avaliar as pessoas e não estaria incorrecta, todavia seria um recurso limitado e restrito. Os Recursos Humanos são um dos departamentos que mais pode beneficiar com o recurso à astrologia.



Figura 3
Mapa Astrológico Natal de Mark Zuckerberg
14-05-1984   14h39m
Dobbs, Nova Iorque, EUA
  Para os Recursos Humanos, a primeira aplicação de uma consultadoria astrológica poderia ser ao nível do recrutamento, porém a astrologia trabalha a partir de alguns dados - data, hora e local de nascimento - que podem não ser do conhecimento do recrutador. Existem duas hipóteses que podem ser utilizadas: ou se pede uma certidão de nascimento, com a justificação de confirmar dados, uma vez que a actual legislação não permite a cópia do cartão do cidadão, ou se utiliza um formulário para a candidatura onde constem as informações necessárias. Este segundo modelo já é utilizado por algumas empresas no Brasil e nos Estados Unidos da América. Em Portugal, o uso da certidão de nascimento ainda é o mais utilizado, pois as empresas preferem esconder o recurso à astrologia. De facto, a interpretação do mapa astrológico natal é a melhor forma de conhecer o candidato a uma determinada função, pois indica a totalidade do indivíduo (figuras 1, 2 e 3). No entanto, se a hora e o local de nascimento forem desconhecidos e se não se possuir as informações necessárias para rectificar a hora de nascimento, é possível recorrer a outras duas possibilidades que, embora incompletas, podem auxiliar a decisão, são o momento da candidatura e, se a escolha já ocorreu, mas a pessoa ainda está à experiência, a inscrição na Segurança Social. Estas alternativas são possíveis, sobretudo, pela sua componente digital. Por exemplo, o e-mail do candidato possui esses elementos: data, hora e o local é onde estão sediados os Recursos Humanos. A inscrição na Segurança Social também pode ser utilizada, pois implica o compromisso público, perante o Estado, dessa relação laboral e, uma vez que hoje é quase sempre feita de forma digital, os dados são de acesso imediato. O momento de apresentação do Relatório Único pode indicar a relação da totalidade dos funcionários com a empresa. No entanto, estas duas hipóteses interpretam apenas as intenções da candidatura e a natureza da relação laboral e não todo perfil da pessoa. Nas grandes empresas,  pode até não ser viável a análise de todos aqueles que a ela se candidatam, mas para alguns cargos de chefia pode ser um importante contributo. Por exemplo, quando se escolhe um director financeiro ou um director comercial, a consultadoria astrológica pode ajudar numa escolha que já é por si mesma complexa. No entanto, a astrologia pode ser utilizada pelos Recursos Humanos de outras formas.

Figura 4
Sinestesia Exemplo
  As empresas podem, num quadro de consultoria astrológica, pedir que sejam elaborados os mapas natais dos seus colaboradores, neste caso seria mais adequado que fosse com o seu consentimento, de modo a explorar as potencialidades de cada um, bem como o modo como podem ser desenvolvidas. Com este recurso, é possível identificar, por exemplo, funcionários a quem não está a ser dado o devido valor ou cujo potencial não está de acordo com as funções desempenhadas. Pode-se, por exemplo, estar a verificar que um colaborador que era criativo e eficiente tem, nos últimos tempos, se revelado pouco produtivo, então a astrologia pode analisar o perfil da pessoa e determinar que essa pessoa coloca como prioridade absoluta a sua família e o trabalho está interferir com a sua vida pessoal. Ora este aspecto não faz da pessoa um mau trabalhador, mostra que, por exemplo, deve-se evitar que faça horas extraordinárias, apoiar a assistência à família e a até a possibilidade de isenção de horário, se as suas funções o permitirem e se puder realizar alguns dos seus objectivos em casa, assim a produtividade melhora e a empresa sai a ganhar. Porém, tanto o astrólogo como a empresa não devem ultrapassar o limite que é o interesse da empresa, mas também o da reserva da vida privada, pois ética gera ética e confiança gera confiança. Uma outra possibilidade de uso da astrologia é criação de sinestesias (figura 4), ou seja, de mapas astrológicos comparados. Por exemplo, existe um conflito entre o director-geral e o director comercial e o primeiro quer aprofundar as causas do conflito e o modo como o superar, então a astrologia mediante o recurso a uma sinestesia, um mapa natal comparado, pode aprofundar esse conflito e apresentar uma solução. Ou se num espaço que não a sede da empresa, tal como uma filial ou uma loja, existe um litígio entre o gerente ou o responsável e os restantes colaboradores, a astrologia pode também dar o seu contribuir. Neste caso, uma vez que distancia entre a sede e local do conflito não permite um testemunho directo e depende das versões dos intervenientes, a astrologia pode, mediante a elaboração de sinestesias entre os interlocutores, encontrar a origem do problema, o qual não era totalmente compreendido. Em situações como estas, o recurso à astrologia horária pode também ser uma escolha, ou seja, é elaborado um mapa do céu num momento em que é formulada a questão e será ele que indicará a resposta.

Figura 5
Mapa Astrológica de Empresa Exemplo
  Um modelo que é utilizado com frequência é a criação de um mapa natal para a empresa, explicitando o momento que está na génese da sua actividade. Hoje em dia com a simplificação do acto de criação de uma empresa, é mais fácil recorrer os dados necessários para o mapa: data, hora e local. Por exemplo, se o futuro sócio-gerente ou sócios criarem a empresa num serviço de Empresa na Hora ou na Conservatória do Registo Comercial, os dados são acesso imediato, sobretudo, se a taxa e o imposto de selo forem liquidados por pagamento com o multibanco, pois a hora fica impressa no comprovativo de pagamento. Uma outra hipótese é  a hora em que o Técnico Oficial de Contas entrega, via Internet, junto da Autoridade Tributária, a Declaração de Início de Actividade. Por fim, a data e a hora da inauguração da sede da empresa ou do começo efectivo da actividade podem também ser utilizados. Em empresas mais antigas e cuja hora da criação da empresa ou da inauguração se perde na memória ou no tempo,  será necessário recorrer ao mesmo procedimento que é usado quando se desconhece a hora de nascimento de uma pessoa. Para a Rectificação do Ascendente de uma empresa, é necessário reunir algumas das datas dos momentos mais marcantes da história da empresa, tais como: a data do Registo Comercial ou do Pacto Social, pois é a data do nascimento da empresa; a data de nascimento dos sócios ou dos CEOs, caso sejam diferentes ou se os sócios ou os accionistas forem num número que dificulte a análise; as datas de alterações significativas aos estatutos da empresa; abertura de filiais ou lojas; as datas do primeiro Break-Even e do primeiro ano de lucros ou dos anos de melhores resultados; as datas dos Bestsellers mais importantes e das campanhas de marketing mais relevantes; e qualquer outra data importante, layout, despedimento colectivo, recapitalização ou revitalização, pedidos de insolvência, etc. A partir destes dados, o astrólogo inicia um processo complexo de cálculos e associações, recorrendo a técnicas como análise de Trânsitos, Progressões Secundárias e Direcções do Arco Solar, que irão concluir uma hora específica. Nessa altura, é possível criar o mapa astrológico natal da empresa (figura 5).

  O mapa da empresa apresenta um elemento que serve de base para quase todas as análises possíveis. No mapa, a partir das suas casas, estão inscritos os vários departamentos de uma empresa, bem como as pessoas que neles trabalham. A interpretação conjunta das casas, dos luminares, dos planetas e das relações que entre eles se estabelecem permite aferir as pessoas, os departamentos ou as estruturas que precisam de uma maior atenção, senão mesmo de alguma forma de reestruturação. É possível também fazer uma sinestesia, uma mapa comparado (figura 4), entre o mapa de uma pessoa e o mapa da empresa. Por exemplo, a identidade da Microsoft está intimamente ligada à  personalidade de Bill Gates (figura 2), logo uma abordagem comparada faz todo o sentido, bem como o caso de Mark Zuckerberg (figura 3) e o Facebook. A elaboração dos mapas natais do fundador ou do CEO de uma empresa pode ser sempre um importante contributo. Os três exemplos apresentados - Warren Buffett, Bill Gates e Mark Zuckerberg - demonstram a importância de um líder, de uma personalidade que determina o sucesso das suas empresas, bem como é possível constatar, através dos seus mapas, como impuseram as suas ideias no mundo. 

Figura 6
Astrocartografia aplicada ao Mapa da Empresa
  Para além da analisar a estrutura e o pessoal, o mapa da empresa possibilita que se crie um conjunto de linhas e modelos temporais de modo a prever a evolução da sua actividade num curto, médio e longo prazo. A curto prazo, por exemplo um mês, dados como os trânsitos e os aspectos da Lua, a Lua fora de curso ou a existência de um movimento retrógrado de Mercúrio podem afectar os resultados comerciais da empresa, daí que o conhecimento de dias ou semanas menos favoráveis permita que o departamento de comercial adopte medidas para alterar essa tendência. A médio prazo, por exemplo um ano, são avaliados os trânsitos e os aspectos entre os astros em trânsito e os astros natais, de modo a concluir quais são os períodos de crescimento e os de carência, os de expansão e os de contenção. Esse conhecimento permite que os vários departamentos adoptem medidas preventivas, de acção ou reacção. A longo prazo, o recurso a técnicas como a análise dos trânsitos, das progressões secundárias, das revoluções solares, das direcções primárias, das direcções do arco solar, bem como das direcções terciárias e da firdaria, permite que se estabeleçam e definam os ciclos da empresa. A este conhecimento temporal é possível acrescentar um conhecimento espacial. A astrocartografia (figura 6) permite que se avalie situações e tendências no planisfério. Por exemplo, uma empresa pretende expandir os seus negócios para a China, então, a através do recurso a esta técnica, pode-se estabelecer se num certo período temporal é favorável a expansão da actividade da empresa para a China ou até indicar como se desenvolverá o processo, poderá também indicar que outras áreas geográficas são adequadas a essa expansão. Em termos políticos e geoestratégicos, a astrocartografia oferece também um importante contributo. Por fim, a Astrologia Electiva é uma técnica que, não tendo um horóscopo prévio, procura aquilo que os gregos designavam como Kaíros, o tempo electivo, o tempo certo para fazer e escolher. Por exemplo, uma empresa procura saber qual é o melhor momento para lançar um produto ou uma campanha publicitária, então a astrologia electiva indaga, entre as efemérides e as afinidades celestes, qual o momento ideal. Todas estas técnicas oferecem às empresas um imenso quadro possibilidades.

  A astrologia empresarial é uma corrente da astrologia que permite às empresas adquirirem novas e importantes informações. A astrologia como linguagem interpretativa do humano e do universo oferece ao mundo dos negócios outros caminhos para o sucesso, os quais não deviam ser desperdiçados por um mero preconceito. A astrologia nunca foi uma parte cristalizada do saber, pois soube sempre, ao longo dos séculos, reinventar-se e adaptar-se à evolução do tempo e da história. Hoje, no pensamento astrológico contemporâneo já não existe nem determinismo, nem fatalismo, existem sim formulações de sentido que contemplam a liberdade humana e a capacidade do humano se transcender, seja através de um percurso espiritual, seja através da sua vida privada, mas também pela mão da sua realização profissional. O recurso à astrologia empresarial é um recurso que, quando utilizado, supera quase sempre as expectativas.


Nota: Todas as figuras apresentadas foram geradas no software Solar Fire.